quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

CASTELOS DO ALENTEJO (4) - Noudar (Barrancos)



O Castelo de Noudar, no Alentejo, localiza-se na antiga vila de mesmo nome, freguesia e concelho de Barrancos, distrito de Beja, em Portugal.
Sentinela da raia com Espanha, ergue-se isolado em uma elevação escarpada dominando a planície circundante e a ribeira de Múrtega e de Ardila, na margem esquerda do rio Guadiana. Testemunhou, juntamente com os castelos de Alandroal, Moura, Serpa e Veiros, a ação da Ordem de Avis na região.
História- Antecedentes
 De acordo com os testemunhos arqueológicos as primeiras incursões humanas no local remontam à pré-história, sendo um território depois sucessivamente ocupado por Romanos, Visigodos e Muçulmanos.
 Foram estes últimos os responsáveis pela primitiva fortificação no local, por volta do século X ou XI, quando terá sido edificada uma pequena torre ou castelo em taipa, com a função de controlar o caminho que fazia ligação a Beja.
O castelo medieval
À época da Reconquista cristã da península Ibérica, nomeadamente desde 1167, a região foi conquistada pelas forças comandadas por Gonçalo Mendes da Maia, "o Lidador". Posteriormente, em 1253, a povoação recebeu foral do rei Afonso X de Castela, juntamente com outras localidades da margem esquerda do rio Guadiana, entre as quais Moura e Serpa, integrando o dote de sua filha, D. Brites, aquando do seu casamento com D. Afonso III nesse mesmo ano.
 A povoação passaria definitivamente para a Coroa portuguesa pelo Tratado da Guarda (1295), que estabelecia a paz entre D. Dinis (1279-1325) e Fernando IV de Castela. Em Dezembro desse mesmo ano, o soberano passou nova Carta de Foral à vila, cujos domínios foram doados posteriormente em 1303, à Ordem de Avis, com a condição de reconstruir o castelo, obras que ficariam concluídas em 1308, conforme duas inscrições epigráficas:
A primeira, datada de 1 de Abril de 1308, actualmente de paradeiro incerto, regista a atuação do Mestre de Avis, D. Lourenço Afonso, na fundação do castelo e no povoamento da vila;
 A segunda, com bastantes dúvidas se terá sido redigida nesse mesmo ano, noticia a acção do comendador Aires Afonso na edificação da torre de menagem.
 À época de D. Manuel I (1495-1521), encontra-se figurada por Duarte de Armas (Livro das Fortalezas, c. 1509), onde se registra a existência de barbacãs circundando o castelo, ou seja, uma estrutura característica da arquitectura militar do século XV. A vila viria a receber do soberano, neste mesmo período, o seu Foral Novo (1513).
Da Guerra da Restauração da independência aos nossos dias
Sem que tivesse recebido obras de modernização, a povoação e seu antigo castelo estiveram na posse de tropas espanholas desde a Guerra da Restauração da independência portuguesa (1644), até à Guerra de Sucessão da Espanha (1707).
 O Castelo de Noudar e seu distrito seriam restituídos a Portugal (juntamente com a Colónia do Sacramento, na América do Sul) pelo Artigo V do segundo Tratado de Utrecht em 6 de Fevereiro de 1715.
A vila de Noudar, seria extinta em 1825, iniciando-se então um lento processo de despovoamento, o que implicaria a mudança da sede municipal para Barrancos. No final do século, a edificação do castelo foi arrematada em hasta pública por um particular, João Barroso Domingues, importante proprietário de Barrancos, em 1893.
 As suas ruínas encontram-se classificadas como Monumento Nacional por Decreto publicado em 23 de Junho de 1910.
 A intervenção do poder público fez-se sentir na década de 1980 por trabalhos de prospecção arqueológica sob a direcção de Cláudio Torres, quando se procedeu à reconstrução da Igreja e de duas edificações, empregando-se as técnicas primitivas de construção, tendo sido apenas em 1997 que a autarquia conseguiria adquirir o monumento, desenvolvendo-se a partir de então, um novo projecto de investigação arqueológica que revelou testemunhos da presença islâmica no local.
Características
O castelo apresenta uma planta hexagonal, de eixo longitudinal noroeste-sudeste, onde se definem dois espaços: o da alcáçova e o da cerca da vila.
 O primeiro é dominado pela torre de menagem, de planta quadrangular, com cerca de 18 metros de altura, coroada por ameias, defendendo a entrada do recinto. Possui duas portas de acesso a pavimentos distintos e, em seu interior, no segundo pavimento acessível através de uma escadaria de pedra, abre-se uma cisterna. De acordo com a iconografia de Duarte de Armas (c. 1509), o seu interior era abobadado e provido de mais um aposento superior. Ainda na Alcáçova, junto à torre de menagem, uma segunda cisterna, esta quatrocentista, apresenta arcos sustentando a abóbada.
 A cerca amuralhada é reforçada por uma dezena de torres e cubelos adossados, o principal dos quais protegendo a Porta da Vila. Em seu interior destacam-se a Igreja da Nossa Senhora do Desterro, reconstruída na década de 1980 e a Casa do Governador.
 Lembrando antigas técnicas construtivas levantam-se, circundando o castelo, uma série de construções, de planta circular, muros em aparelho de pedra solta e cobertura de falsa cúpula, ligadas à pastorícia.
 A lenda da serpente de Noudar
Entre as histórias que se registam localmente, de destacar a da serpente, onde se conta que, no interior do castelo habita uma serpente adornada por um monho (penteado característico de senhoras idosas) de trança na cabeça. Esta serpente, que seria uma princesa moura encantada, sairia apenas durante a noite.
in Wikipédia

sábado, 25 de fevereiro de 2012

CASTELOS DO ALENTEJO (3) - Amieira do Tejo (Nisa)


 Foto de Cláudia Fernandes
Foto de Armando Gaspar
O Castelo de Amieira ou Castelo da Amieira é um castelo português fundado no século XIV por D. Frei Álvaro Gonçalves Pereira, prior da Ordem do Hospital para servir de defesa da Linha do Tejo. Localiza-se na povoação de Amieira do Tejo, Conselho de Nisa, Distrito de Portalegre, em Portugal.
A antiga povoação de Amieira, a meio caminho entre Belver e Nisa, integrava a chamada Linha do Tejo, linha de defesa da fronteira, na margem sul do rio Tejo. Constituía-se numa das onze vilas que a Ordem dos Hospitalários detinha na região.
História - O castelo medieval
No contexto das lutas pela Reconquista cristã da península Ibérica e da formação do reino de Portugal, o rei D. Sancho II (1223-1248) fez uma expressiva doação de terras à Ordem de São João do Hospital de Jerusalém, incluindo as vilas de Amieira, Belver (Gavião) e Crato (1232).
Das três, a última a ser fortificada foi a de Amieira, cerca de um século mais tarde, sob o reinado de Afonso IV de Portugal (1325-1357). A edificação do castelo é atribuída a Álvaro Gonçalves Pereira, filho bastardo do Prior da Ordem do Hospital em Portugal, bispo D. Gonçalo Pereira, e pai do futuro Condestável, D. Nuno Álvares Pereira. Algumas obras devem ter sido orientadas por um outro filho, D. Pedro Pereira, e não se encontravam concluídas em 1359 conforme se depreende de uma carta régia enviada nesse ano a D. Álvaro, tendo sido concluídas em 1362.
Durante a Crise de 1383-1385, o então Prior do Hospital, D. Pedro Pereira, no início de 1384 reconheceu a autoridade de D. Beatriz, filha de D. Fernando, e, como tal, herdeira legítima do trono português. O Castelo da Amieira, juntamente com outros da Ordem, prestou obediência à Rainha, situação modificada poucos meses mais tarde, por influência do Condestável D. Nuno Álvares Pereira, irmão do Prior, tendo este partido para Castela.
O único episódio militar em que o castelo esteve envolvido ocorreu em 1440. Tendo D. Leonor, princesa de Aragão, se desentendido com o infante D. Pedro, retirou-se, com a cumplicidade do prior, D. Nuno de Góis, para o Crato, tendo invocado em seu auxílio as forças de Castela, que cercaram a Amieira. Diante dessa insubordinação, D. Pedro determinou a ocupação dos castelos do priorado do Hospital nessa região fronteiriça, ordenando a D. Álvaro Vaz de Almada (conde de Abranches), acometer o Castelo da Amieira. Sem oferecer resistência os castelos renderam-se, o prior do Crato e D. Leonor puseram-se em fuga para Castela e a paz foi restabelecida. O Castelo da Amieira passou para as mãos de Pedro Rodrigues de Castro como alcaide ao final do conflito.
Nos séculos seguintes, foram procedidas pequenas obras de modernização sob o reinado de D. João II (1481-1495) e de D. Manuel I (1495-1521), fase em que teria servido como prisão. Data do século XVI a construção de uma capela, sob a invocação de São João Batista (1556).
Do século XVII aos nossos dias
À época da guerra da Restauração da Independência foram erguidas edificações residenciais no interior do recinto do castelo que, abaladas pelo terramoto de 1755, já se encontravam em ruínas em 1747, segundo relato coevo do padre Luís Cardoso. Nessa época tentou-se a recuperação parcial da Torre de Menagem.
Em meados do século XIX, possívelmente em virtude do decreto que proibiu os enterramentos dentro do recinto das igrejas em Portugal (1846), a praça de armas do castelo passou a ser utilizada como cemitério pela população da vila.
Já no século XX, na década de 1920, as dependências do castelo passaram para a responsabilidade do Ministério da Guerra, com quem a Junta de Freguesia celebrou um contrato de arrendamento que lhe permitiu usufruir do monumento. Classificado como Monumento Nacional pelo Decreto n° 8.447, publicado em 10 de Novembro de 1922, na década de 1940 foi objeto de intervenção de consolidação e restauro pela Direcção-Geral dos Edifícios e Monumentos Nacionais (DGEMN), mantendo-se em boas de condições de conservação até aos nossos dias.
Características
De pequenas dimensões, com planta no formato retangular, é considerado um modelo de castelo português no estilo gótico.
As muralhas, ameadas, são reforçadas nos ângulos por quatro sólidas torres e pela Torre de Menagem, de maiores proporções, com planta quadrangular, defendendo a porta da barbacã. Esta torre possui janelas, sendo uma geminada e outra com arco pontiagudo e moldura de toros. No interior, abre-se a praça de armas. No exterior, o conjunto é completado por fosso (hoje aterrado) e uma sólida barbacã de planta quadrangular, de muros ameados.
Fora dos muros, mas adossada a uma das torres, ergue-se a Capela de São João Baptista com portão em arco de volta perfeita com aduelas almofadadas. No interior, apresenta abóbada de caixotões decorada com grotescos e uma imagem do padroeiro, além de um retábulo tardo-renascentista.
in Wikipédia

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

BARROS DE NISA

O Alto Alentejo é um retalho de cor viva deste tapete multicolor de Portugal.
Nesta interessante faixa que se desdobra ao sol com as suas casas muito brancas e de grandes chaminés, só quem sofra de anestesia estética não encontra motivos de encanto para os olhos mais ávidos de notas coloridas.
O povo deste torrão alentejano além de trabalhar e com “apego à terra” peculiar em todo o alentejano, é de boa índole e não sei se alguma influência possa ter nele o predomínio da cor branca, reflectida por toda a parte, visto que o branco – como diz Mantegazza quando estuda a alma desta cor – não excita os sentidos, não exalta como o vermelho, não nos repousa como o verde, nem nos eleva como o azul...
Neste retalho de Portugal que tem lá ao longe como sentinela vigilante a fortaleza de Marvão, tiveram os Templários, em tempos que já vão longe, um papel importante, principalmente acentuado no distrito de Portalegre.
Não se limitou a acção dos Templários apenas á conquista e defesa dos pontos mais investidos pelos mouros: dela vieram também bastantes benefícios para a lavoura local e pequenas indústrias derivadas, que embora confusas a princípio e sem valor próprio, se nos apresentam hoje em dia com algo de aproveitar.
Assim, a cultura do linho que nesta região foi extensa, originou a indústria de tecelagem em alguns pontos do distrito de Portalegre, dando em Nisa uma especialização – os alinhavados – lavor característico, inconfundível.
Aponto aqui uma outra pequena indústria alentejana que é no entanto uma das mais interessantes e com maior sabor regionalista – a olaria.
A indústria dos oleiros, além de ser uma das mais antigas do Alto Alentejo, é aquela onde a gente do povo manifesta a sua sensibilidade artística, imprimindo aos barros uma originalidade que é de apreciar.
Quem não conhece os barros de Flor da Rosa, Amieira, Estremoz e Nisa? Quantos pintores de arte não se têm prendido com a nota colorida e tão alentejana que dão os barros quando espalhados pelo chão nos mercados e feiras, expostos ao sol do Alentejo?
Pelo lado artístico – entre os oleiros do Alto Alentejo – são os de Nisa os que mais cativam, pela graça com que trabalham o barro, dando-lhe não só uma linha de modelação muito sua e elegante, mas enriquecendo ainda essa modelação com incrustações de pequeninas pedras brancas, formando diversos volumes e flores, que fazem das cantarinhas, alegres e decorativas peças para o lar mais exigente.
Na ornamentação destas cantarinhas, única no género, observa-se sobretudo uma facilidade enorme de trabalho e qualidades belíssimas de assimilação desse género de trabalho, sabendo-se que são geralmente as crianças e mulheres do povo, sem conhecimento algum do desenho, que fazem essas incrustações ornamentais no barro. É curioso ver a rapidez com que estes artistas ignorados do povo riscam no barro ainda mole, as graciosas curvas e ingénuas flores que depois geralmente as raparigas contornam com pedrinhas brancas.
No entanto, esses desenhos, devemos confessá-lo, não têm concepção alguma regional e nem o encanto da ingenuidade possuem, visto que são desenhos tirados aqui e além, alterados cada vez mais em cada reprodução feita. Em todo o trabalho de decoração a base é sempre a mesma – a ideia ornamental. Neste caso da nossa olaria alentejana e, mais particularmente ainda, da olaria nisense, os melhores elementos decorativos, a meu ver, devem procurar-se na própria Natureza.
Sob este ponto de vista não faltam no Alto Alentejo valores decorativos a extrair da própria flora, por si mesma abundante de motivos ornamentais – a espiga do trigo, a folha do carvalho, o ouriço do castanheiro, a bolota, etc – elementos esses susceptíveis de darem lindas estilizações do mais rico efeito de composição. É interessante ver como a silhueta da cantarinha tem a sua semelhança com a linha de contorno da rapariga da região, vestindo as saias rodadas.
Li já impressão idêntica com referência à cantarinha de Coimbra, muito semelhante, também, na linha de contorno, com a silhueta estilizada da tricana.
Decerto, influência de uma imagem que está gravada nos olhos do oleiro, cujas mãos, modelando o barro, reproduzem nele, em estilização, uma figura que lhe baila nos sentidos...
Dinis Fragoso in “Revista Alentejana” – nº 242 – Junho de 1957

terça-feira, 21 de fevereiro de 2012

CASTELOS DO ALENTEJO (2) - Alegrete - Portalegre



O Castelo de Alegrete localiza-se na localidade de Alegrete, concelho e distrito de Portalegre, em Portugal.
Estrategicamente postada, constituiu-se numa das mais importantes fortificações do Alto Alentejo raiano, peça fundamental no sistema defensivo da região na Idade Média. Actualmente, apresenta potencial para constituir-se em importante pólo de atracção turística para uma região que se ressente da sua interioridade.
História - Antecedentes
Embora a primitiva ocupação humana de seu sítio seja obscura, acredita-se que remonte à época dos Lusitanos, sucedidos pelos Romanos, pelos Vândalos, pelos Alanos até à Invasão muçulmana da Península Ibérica, a partir do século VIII.
 O castelo medieval
À época da Reconquista cristã da península Ibérica, a povoação e sua defesa foram conquistadas pelas forças de D. Afonso Henriques (1112-1185), segundo a tradição, em 1160. Entretanto, as primeiras informações documentais a seu respeito datam do século XIII, uma vez que, pelos termos da Convenção de Badajoz (16 de Fevereiro de 1267), assinada entre Afonso III de Portugal (1248-1279) e seu sogro, Afonso X de Castela, a povoação de Alegrete e seu castelo foram definitivamente incorporados ao território de Portugal. O soberano português procedeu-lhe reparos e reforços, obras que se estenderam até ao reinado de D. Dinis (1279-1325), quando a povoação recebeu a sua Carta de Foral (1319).
No contexto da crise de 1383-1385, a povoação e seu castelo tomaram partido pelo Mestre de Avis, tendo sido acampamento das forças portuguesas sob o comando do Condestável D. Nuno Álvares Pereira (8 de Abril de 1384), vitoriosas contra Castela na batalha dos Atoleiros.
No reinado de D. Afonso V (1438-1481), foi conquistada pelas tropas de Castela (1475).
De volta à posse portuguesa, a povoação recebeu, a 14 de Fevereiro de 1516, o Foral Novo de D. Manuel I (1495-1521).
Do século XVI ao XVIII
Quando da crise de sucessão de 1580, a posição do antigo castelo medieval readquiriu importância estratégica, na primeira linha de defesa raiana. Mais tarde, à época da Guerra da Restauração da independência portuguesa, D. João IV (1640-1656) recompensou Matias de Albuquerque por serviços prestados concedendo-lhe o título de conde de Alegrete. No mesmo contexto, conta-se que, em 1662, estando a praça de Alegrete guarnecida por duas companhias de infantaria sob o comando de La Coste, cercada pelas tropas espanholas sob o comando de D. João de Áustria, aquele governador da praça remeteu ao comandante invasor duas botijas do generoso vinho da região, com uma nota comunicando que a guarnição portuguesa resistiria até à última gota daquela bebida ali produzida. Diante deste gesto de galanteria, afirma-se que o invasor levantou o cerco à praça, retirando-se. A partir de 1664 as suas defesas foram modernizadas e reforçadas em pontos específicos, sob a direção do marquês de Marialva. À época, uma fortificação de campanha abaluartada, hoje desaparecida, foi erguida, provavelmente em faxina uma vez que não é possível hoje identificar os seus vestígios. Ainda nesse século foi criado o marquesado de Alegrete (19 de Agosto de 1687), sendo seu primeiro titular D. Manuel Teles da Silva.
 O século XIX: a Guerra Peninsular e as Guerras Liberais
No início do século XVIII, a povoação e sua fortificação resistem ao cerco das tropas de Filipe V da Espanha (1704), para mergulhar numa paz da qual só despertaria no início do século seguinte, quando aquartelou considerável número de tropas à época da chamada Guerra das Laranjas (1801). Por esta ocasião as suas defesas já se encontravam em considerável declínio, não tendo tido papel nos combates das Guerras Liberais que se registraram nas suas vizinhanças entre as tropas do conde de Vila Flor e os realistas (1826).
A Alcaidaria-Mor de Alegrete com a responsabilidade pelo Castelo foram entregues aos Condes de Vila-Flor e Senhores-Donatários da Zibreira, tendo o último senhor do castelo sido D. Cristóvão Manoel de Vilhena, Senhor de Pancas e da Zibreira, filho herdeiro da Condessa de Alpedrinha e que se encartou na Alcaidaria-Mor de Alegrete em 1860, tendo falecido em 1877, data em que a referida Alcaidaria-Mor e o Castelo de Alegrete reverteram para a Fazenda Nacional.
 Do século XX aos nossos dias
 Desde que o Concelho e Julgado de Alegrete foram suprimidos (26 de Junho de 1855), o seu castelo mergulhou no abandono e no esquecimento.
No século XX foi classificado como Monumento Nacional pelo Decreto/Lei nº 35.443, de 2 de Janeiro de 1946, até que, a partir de 1965 foram iniciadas obras de consolidação e restauro, a cargo da Direcção-Geral dos Edifícios e Monumentos Nacionais (DGEMN). A partir de 1977 foram promovidas obras de consolidação na torre do castelo e demolidas alvenarias que tapavam as aberturas e as ameias. Mais tarde, a partir de 1984 foram promovidas obras de consolidação das muralhas e isolamento da entrada do castelo.
Em que pese a importância das intervenções procedidas, o monumento aguardava por um programa mais amplo de valorização, uma vez que se encontrava em precário estado de conservação. Recentemente encontravam-se em estudo planos para a sua recuperação.
Características
Exemplar da arquitectura militar gótica, apresenta planta rectangular, irregular. Na sua muralha, ao sul, rasga-se o portão, defendido por um pequeno torreão. Nas muralhas, a leste, ergue-se a torre de menagem, de planta rectangular com dois pavimentos, associada a uma cisterna, integrante do conjunto. O adarve, com acesso por escada de pedra, está alicerçado no terreno e disposto transversalmente ao pano da muralha.
A defesa era complementada por uma cerca envolvendo a vila, ligando-a ao castelo. Em condições precárias de conservação, entre os poucos trechos conservados destaca-se a Porta da Vila, ladeada por dois cubelos defensivos, exemplar das portas góticas das cercas urbanas do período.
in Wikipédia

domingo, 19 de fevereiro de 2012

CASTELOS DO ALENTEJO (1) - Juromenha (Alandroal)



O Castelo de Juromenha, no Alentejo, localiza-se na freguesia de Juromenha, concelho do Alandroal, distrito de Évora, em Portugal.
História
Dominando este ponto de travessia do rio Guadiana, a ocupação de seu sítio remonta a galo-celtas e a Romanos. Ocupada mais tarde quando da Invasão muçulmana da Península Ibérica, à época da Reconquista cristã da península manteve-se por dois séculos como posto avançado de defesa da importante cidade de Badajoz, desde o século X em mãos do Califado de Córdoba.
O castelo medieval
A povoação e o seu castelo foram conquistados desde 1167 pelas tropas do rei D. Afonso Henriques (1112-1185), auxiliado pelas forças do lendário Geraldo Sem Pavor. Como recompensa, o soberano nomeou este último como alcaide do castelo. Povoação e castelo retornariam às mãos dos muçulmanos, sob o comando do califa Almansor, em 1191, para serem definitivamente conquistadas por forças portuguesas, sob o comando de D. Paio Peres Correia, em 1242.
Objecto de preocupação do rei D. Dinis (1279-1325), este lhe incrementou o povoamento, concedendo-lhe Carta de Foral em 1312 e lhe promoveu importantes reforços nas defesas. Passou, assim, a contar com muralhas de taipa revestidas em cantaria de granito e ardósia, às quais se adossavam 16 torres quadrangulares, dominadas por uma imponente Torre de Menagem que se alçava a 44 m de altura.
As bodas do rei D. Afonso IV (1325-57) com D. Beatriz de Castela (1309) e de Afonso XI de Castela com D. Maria de Portugal foram celebrados neste castelo.
O seu foral seria confirmado no reinado de D. João II (1481-1495), a 28 de Agosto de 1492, e a povoação e seu castelo encontram-se figurados (lado norte) por Duarte de Armas no seu Livro das Fortalezas (c. 1509).
A Praça-forte da Juromenha
Foi reforçado e ampliado à época da Guerra da Restauração da independência de Portugal, quando foi erguida a Fortaleza de Juromenha, com cuja história passa a se confundir.
O conjunto da fortaleza encontra-se classificado como Imóvel de Interesse Público por Decreto publicado em 18 de Julho de 1957.
In Wikipédia