quarta-feira, 28 de março de 2012

CASTELOS DO ALENTEJO (10) - Barbacena (Elvas)



O Castelo de Barbacena, no Alentejo, localiza-se na freguesia de Barbacena, concelho de Elvas, distrito de Portalegre, em Portugal.
História
No contexto da Reconquista cristã da península Ibérica, o rei D. Sancho II (1223-48) conquistou esta povoação aos mouros.
A primitiva edificação do castelo remonta ao reinado de D. Afonso III (1248-79). Posteriormente, D. Manuel (1495-1521) elevou a povoação a Concelho, fazendo reconstruir o seu castelo.
No contexto da Guerra da Restauração da independência portuguesa, as suas defesas foram modernizadas, introduzindo-se-lhe linhas abaluartadas. À época, resistiu às investidas das tropas da Espanha.
Embora restem actualmente poucos vestígios de seu primitivo traçado medieval, os remanescentes da fortificação foram classificados como Imóvel de Interesse Público por Decreto publicado em 24 de Janeiro de 1967.
De acordo com a imprensa portuguesa, o fadista Mico da Câmara Pereira adquiriu, em Setembro de 2005, as ruínas do castelo a José Luís Sommer de Andrade, antigo cavaleiro tauromáquico, pelo montante de 225 mil euros.
As negociações para a aquisição demoraram cerca de um ano e meio, período em que nem o Instituto Português do Património Arquitectónico (IPPAR) e nem a Câmara Municipal de Elvas optaram por exercer o seu direito de preferência ao imóvel.
O fadista declarou tencionar requalificar o imóvel como um espaço de lazer para a promoção de espectáculos e eventos, como casamentos e festas temáticas, com recursos a serem obtidos da mesma forma (Jornal de Notícias, 11 de Setembro de 2005).

Tradições do Ribatejo Interior demonstradas em Lisboa


De 2 a 6 de Abril, a TAGUS – Associação para o Desenvolvimento Integrado do Ribatejo Interior vai estar em Lisboa, no espaço Verdes São Os Campos a promover as tradições pascais vividas nos concelhos de Constância e Sardoal.
Promover os recursos endógenos e as potencialidades turísticas do Ribatejo Interior, através das tradições, do alojamento, da restauração e das actividades de aventura da região, é um dos objectivos desta acção da TAGUS.
O ponto alto desta iniciativa acontecerá no dia 3 de Abril, em que irá decorrer uma oficina para crianças do pré-escolar. O desafio consiste na decoração de um postal para entregar aos padrinhos com pétalas de flores, sensibilizando os mais pequenos para uma das mais importantes manifestações de arte popular sardoalense. Para recriar o ambiente que se vive nas capelas e igrejas da vila de Sardoal na Semana Santa será composto um tapete de flores pelas mãos hábeis de quem perpetua todos os anos este costume. Igual reprodução será feita com flores de papel alusiva à tradição de adornar as ruas pitorescas nas Festas de Nossa Senhora de Boa Viagem, em Constância.  
A acompanhar esta mostra estarão algumas reproduções em miniatura das embarcações engalanadas que representam a procissão de barcos das Festas de Constância. Imagens das duas celebrações adornarão o espaço.
Verdes São Os Campos é um espaço em Campo de Ourique (Lisboa) de promoção e valorização das potencialidades turísticas dos territórios das oito Associações de Desenvolvimento Local que compõem este projecto de cooperação interterritorial, apoiado pela abordagem LEADER, do Programa Nacional de Desenvolvimento Rural (ProDeR).

terça-feira, 20 de março de 2012

CASTELOS DO ALENTEJO (9) : Montemor-o-Novo

O Castelo de Montemor-o-Novo localiza-se na freguesia de Nossa Senhora da Vila, concelho de Montemor-o-Novo, distrito de Évora, no Alentejo, em Portugal.
Em posição dominante sobre o outeiro mais alto da região, o castelo abrigava originalmente nos seus muros a povoação que, desenvolvendo-se, expandiu-se pela encosta a Norte. Afirma-se que neste castelo Vasco da Gama ultimou os planos para a sua viagem à Índia.
História - Antecedentes
A primitiva ocupação humana deste local remonta possivelmente a um castro pré-histórico romanizado, conforme os testemunhos arqueológicos abundantes na região. Neste ponto encontravam-se as estradas romanas de Santarém e da foz do rio Tejo, seguindo, por Évora, até Mérida. O local teria sido, por esta razão, fortificado.
Séculos mais tarde, na época da invasão muçulmana da Península Ibérica, o nome de Al-Mansur permaneceu, na região, na toponímia da ribeira de Almansor. Alguns autores afirmam que aqui também existiu uma fortificação muçulmana.
O castelo medieval
Na época da reconquista cristã da península ibérica, a povoação foi conquistada pelas forças portuguesas sob o comando de D. Sancho I (1185-1211). Visando o seu repovoamento e defesa, o soberano concedeu-lhe Carta de Foral em 1203. Acredita-se que a construção do castelo medieval se tenha iniciado nesta fase.
Na época de D. Dinis (1279-1325) foram encetadas grandes reformas nas defesas da povoação, entre as quais a construção da cerca da vila, concluída em 1365.
Estabelecida a dinastia de Avis, o domínio de Montemor-o-Novo constituiu terça de senhorio do Condestável D. Nuno Álvares Pereira.
Ao longo do século XV, o castelo sofreu obras de remodelação, trabalhos a cargo do mestre de pedraria Afonso Mendes de Oliveira. Nos séculos XV e XVI, a vila atingiu a sua maior prosperidade, devido não só ao comércio regional, mas também ao facto de a Corte permanecer por longos períodos em Évora, o que tornou a vila palco de acontecimentos como as Cortes de 1495, quando D. Manuel I (1495-1521) tomou a decisão de proceder ao descobrimento do caminho marítimo para a Índia. Este soberano concedeu foral novo à vila em 1503. Mais tarde, sob o reinado de D. Sebastião (1557-1578), foi-lhe concedido o título de Vila Notável (1563), considerando que era lugar antigo e de grande povoação.
Da Guerra da Restauração aos nossos dias
No contexto da Guerra da Restauração da independência portuguesa, o Conselho de Guerra de D. João IV (1640-1656), deu ordens para a reedificação das suas defesas.
Quando do terramoto de 1755, encontrando-se o espaço intra-muros já bastante degradado, acredita-se que os efeitos do sismo contribuíram para acelerar o processo de decadência das defesas. Por essa razão, o conjunto foi objecto de reparações ainda no século XVIII.
Durante a Guerra Peninsular, a guarnição da antiga fortificação medieval resistiu às tropas napoleónicas sob o comando de Junot, travando-se combate junto à chamada Ponte de Lisboa (1808). Poucos anos mais tarde, quando da Guerra Civil Portuguesa (1828-1834), aqui se concentrou o estado-maior das tropas liberais, sob o comando do marechal duque de Saldanha.
Já no século XX, em 1929, foram realizadas reparações numa das torres, registando-se o desabamento de paredes e troços de muralhas nos anos seguintes. Novas obras de reparação tiveram lugar entre 1937 e 1945, quando foram reconstruídos dois troços das muralhas desmoronadas e consolidado o pano junto à Porta da Vila.
O Castelo de Montemor-o-Novo, abrangendo as muralhas e os imóveis que se encontram dentro delas encontra-se classificado como monumento nacional pelo Decreto n.º 38 147, de 5 de Janeiro de 1951. [1] A intervenção do poder público português foi retomada na década de 1960, prosseguindo intermitentemente pela década de 1970 e de 1980. Neste último período, iniciaram-se as pesquisas arqueológicas que foram retomadas entre 1992 e 1993. Mais recentemente, procedeu-se à recuperação da chamada Torre da Má Hora.
Características
Apresenta planta triangular irregular. O pano da muralha voltado a norte, foi primitivamente rasgado por uma porta, hoje desaparecida, denominada como Porta de Évora. O acesso é feito actualmente pela chamada Porta da Vila, Porta de Santarém ou Porta Nova, a norte, flanqueada pela chamada Torre do Relógio, de planta quadrada, com porta em arco quebrado.
Externamente adossa-se a Casa da Guarda, com tecto abobadado, cujo portão em arco é encimada pelo brasão de armas de D. Manuel I.
No troço oeste das muralhas, rasga-se a chamada Porta do Bispo ou Porta do Anjo, defendida por duas torres de planta quadrada.
A este, rasga-se a Porta de Santiago ou Porta do Sol, flanqueada pela Torre da Má Hora, de planta quadrada, rematada por ameias piramidais.
Na praça de armas do castelo abre-se a antiga cisterna e ergue-se a fachada do antigo Paço do Alcaide, hoje em ruínas. Ao abrigo da cerca da vila destacam-se a Igreja de São João Baptista, a Igreja de Santiago, o Convento de Nossa Senhora da Saudação e as ruínas da Igreja de Santa Maria do Bispo.

sexta-feira, 16 de março de 2012

CASTELOS DO ALENTEJO (8) : Sines

O Castelo de Sines, no Alentejo, localiza-se na freguesia, cidade e concelho de Sines, distrito de Setúbal, em Portugal.
Importante porto de pesca (o de maior profundidade no país), o local constituiu-se naturalmente em ponto de vigia e de defesa daquele trecho do litoral.
História - Antecedentes
A primitiva ocupação humana do morro do castelo remonta à pré-história (período Paleolítico), posteriormente romanizado, conforme testemunhos arqueológicos, entre os quais o pedestal de uma estátua consagrada a Marte, posteriormente incorporado às suas muralhas. Aqui também foram identificados outros testemunhos da posterior presença de Visigodos (um templo cristão do século VII, cujos remanescentes também se encontram incorporados às muralhas), sucedidos, a partir do século VIII pelos Muçulmanos.
O castelo medieval
À época da Reconquista cristã da península Ibérica, a região foi conquistada por D. Sancho I (1185-1211) entre o final do século XII e o início do século XIII. O seu filho e sucessor, D. Afonso II (1211-1223) fez a doação dos domínios de Sines aos cavaleiros da Ordem de Santiago. A povoação de pescadores recebeu Carta de Foral de D. Pedro I (1357-1367) em Novembro de 1362, desligando-se de Santiago do Cacém, com a determinação da edificação de uma fortificação. Sem que a mesma tivesse se materializado, e sendo esse trecho da costa tradicionalmente assolado pelas razias de corsários, visando prover à defesa da vila, D. João I (1385-1433) isentou os seus moradores do serviço militar nas campanhas da fronteira (1395).
O castelo foi erguido, de raiz, apenas em 1424, por solicitação do procurador do povo, Francisco Neto Chainho Pão Alvo. Foi seu Alcaide-mor, mais tarde, Estêvão da Gama, pai do navegador Vasco da Gama, que aqui teria nascido em 1469.
Sob o reinado de D. Manuel I (1495-1521), a povoação recebeu o Foral Novo (Julho de 1512), fase em que passou por extensas obras de modernização e ampliação, visíveis na estrutura das torres no lado Oeste e na janela do Palácio do Alcaide-mor.
Da Dinastia Filipina aos nossos dias
Com a implantação da Dinastia Filipina no país ao final do século XVI, redobram as ameaças à costa portuguesa. No início do século XVII, o litoral sul do país foi vistoriado pelo engenheiro-militar e arquitecto napolitano Alexandre Massai (1614), que propôs a reedificação da fortificação de Sines, adaptando-a às novas necessidades bélicas, o que não se concretizou. Nesta época já se encontra referida uma pequena bateria exterior, cobrindo o flanco Sul com planta aproximadamente estrelada, inicia-se o Fortim de Nossa Senhora das Salvas e dois fortes para cooperarem na defesa da ilha do Pessegueiro (Forte do Pessegueiro).
À época da Guerra Peninsular, tropas napoleónicas saqueiam a vila, picando a pedra de armas com o brasão real que encimava o portão de armas do castelo.
Quando das Guerras Liberais, após a Concessão de Évora Monte (26 de Maio de 1834) foi de Sines que D. Miguel (1828-1834) embarcou para o exílio (Julho de 1834).
 Encontra-se classificado como Imóvel de Interesse Público desde 24 de Junho de 1933. A ação do poder público, entretanto, só se fez sentir em 1956, através de intervenção de consolidação e restauro parcial, a cargo da Direcção-Geral dos Edifícios e Monumentos Nacionais (DGEMN). Novos danos se registraram, entretanto, em sua estrutura, causados pelo terramoto de 1969.
Com a elevação de Sines a cidade, a 12 de Julho de 1997, foram procedidos trabalhos mais abrangentes em seu monumento, entre 1998 e 2001, numa parceria entre a DGEMN e a
Câmara Municipal de Sines, procedendo-se a recuperação e consolidação de panos exteriores das muralhas e a beneficiação de algumas zonas do seu interior.
Mais recentemente, a Câmara Municipal de Sines promoveu concurso público para a elaboração de projecto de arranjo dos espaços exteriores adjacentes, visando valorizar o seu entorno. A Torre de Menagem, onde se acredita ter nascido o navegador português Vasco da Gama (1469), abriga actualmente o Museu de História Natural de Sines.
Investindo na sua vocação turística, a cidade e seu castelo (reputado como um dos melhores recintos para espectáculos ao ar livre do sul do país), recebem, a cada ano, no último fim de semana do mês de Julho, o Festival Músicas do Mundo.
Características
O castelo apresenta uma área de apenas cerca de meio hectare, uma vez que, à época de sua tardia construção, a povoação já estava definida. Apresenta planta trapezoidal irregular, reforçado por três torreões, dois de planta poligonal nos ângulos da fachada Norte e uma torre de planta circular no vértice Sudoeste.
 A Torre de Menagem ergue-se a Noroeste, dividida internamente em três pavimentos. O seu alçado voltado para a vila é rasgado por três janelas, a superior dupla e mainelada, acredita-se que ainda contemporânea da época da construção.
Na praça de armas, a Oeste, junto aos dois torreões e à porta principal, identificam-se as ruínas do Paço dos Alcaides, onde, segundo a tradição, Vasco da Gama teria nascido. Embora se desconheça a sua configuração original e a sua posterior evolução arquitetônica, sabe-se que se erguia em dois pavimentos.

domingo, 11 de março de 2012

CASTELOS DO ALENTEJO (7) - Serpa - Vila branca

O Castelo de Serpa, no Baixo Alentejo, localiza-se na freguesia de Salvador, povoação e concelho de Serpa, no distrito de Beja, em Portugal.
Em posição dominante sobre a povoação, integra o território à margem esquerda do rio Guadiana, juntamente com os vizinhos Castelo de Moura, Castelo de Mértola e Castelo de Noudar.
Antecedentes
A primitiva ocupação humana de seu sítio remonta à pré-história, posteriormente romanizado, quando já se denominava Serpa, convivendo com a estrada que ligava Beja ao Sul da Hispânia. Acredita-se que aqui tenha existido uma fortificação romana com a função de proteger este trecho do persurso. Com a queda do Império Romano, conheceu a presença de Alanos e Vândalos, quando se instalaram na Bética, dos Suevos, quando se expandiram para o Sul, e mais duradouramente, dos Visigodos, sucedidos, a partir do século VIII pelos Muçulmanos, que a fortificaram.
O castelo medieval
À época da Reconquista cristã da península Ibérica, a povoação e seu castelo foram inicialmente conquistadas ou por tropas sob o comando de D. Afonso Henriques (1112-1185) ou pelo grupo sob o comando de Geraldo Sem-Pavor, em incursão promovida em 1166 no território além do rio Guadiana.
Retornou à posse muçulmana quando da grande ofensiva Almóada de Abu Yusuf Ya'qub al-Mansur até ao rio Tejo (1191), quando os cristãos se mantiveram em poder apenas de Évora, em todo o Alentejo. Mais tarde, as forças de D. Sancho II recuperariam estas terras, sendo Serpa conquistada em 1232 e os seus domínios entregues a D. Fernando, irmão do soberano.
Duas décadas mais tarde, tendo D. Afonso III (1248-1279) concluído a conquista do Algarve, Afonso X de Castela impugnou-lhe jurídicamente estes domínios. O domínio de Serpa e das terras além do rio Guadiana igualmente se inseria nessa disputa, tendo sido cedidas ao monarca castelhano em 1271. A disputa só veio a terminar em 1283, com a cedência destes à rainha D. Beatriz, filha de D. Afonso X, viúva de D. Afonso III e mãe do rei D. Dinis (1279-1325). Com a retificação da fronteira, sob o reinado deste, a povoação recebeu o seu primeiro Foral (1295), com privilégios idênticos aos dos moradores de Évora, época em que se iniciou a reconstrução da antiga fortificação muçulmana, aproveitando-se de parte das primitivas muralhas de taipa. Para esse fim, a Ordem de Avis fez doação de um terço das rendas das igrejas de Moura e Serpa para "refazimento e mantimento dos alcáceres dos ditos castellos" (1320). Rui de Pina, na Crónica de D. Dinis, assinala Serpa entre as vilas cujos "alcáceres e castellos fez de fundamento".
À época da crise de 1383-1385, a vila e seu castelo tomaram partido pelo Mestre de Avis, tendo servido como base de operações para as tropas portuguesas em diversas incursões no território castelhano.
Nas Cortes de 1455, os habitantes de Serpa pleitearam que, para remédio do decréscimo da população, causado pelas guerras e pelas pestes, D. Afonso V (1438-1481) concedesse aos futuros moradores o privilégio da isenção, quase que integral, durante vinte anos, de serviços militares ou municipais. O soberano, entretanto, limitou essa concessão aos estrangeiros e reduziu para dez anos o prazo originalmente reclamado.
Sob o reinado de D. Manuel I (1495-1521), Serpa e seu castelo encontram-se figurados por Duarte de Armas (Livro das Fortalezas, c. 1509), onde pode ser apreciada a dimensão da obra dionisina: um castelo com os muros amparados por torreões de planta cilíndrica e quadrangular, dominado por uma imponente torre de menagem; a seus pés, a vila envolvida por uma muralha dupla também reforçada por torres. O soberano concedeu o Foral Novo à vila em 1513, tendo concedido o domínio da povoação e seu castelo a seu filho, o infante D. Luís, duque de Beja.
Da Guerra da Restauração aos nossos dias
Durante a Crise de sucessão de 1580, fracamente guarnecidas, Serpa e seu castelo caíram diante das tropas espanholas sob o comando de Sancho d’Ávila (1580). No momento da Restauração da Independência de Portugal, dos primeiros a hastear o pendão de Portugal, os domínios da vila e seu castelo foram doados por D. João IV (1640-1656) ao Infante D. Pedro (1641), incorporando-se à Casa do Infantado. Configurando-se a Guerra da Restauração, à semelhança de outras praças na região fronteiriça, também esta sofreu obras de modernização, com projeto a cargo do arquiteto Nicolau de Langres que, entretanto não foram concluídas. A projetada fortaleza abaluartada que deveria defender a povoação foi apenas parcialmente executada, materializada no Forte de São Pedro de Serpa, concluído em 1668.
Ocupada durante a Guerra de Sucessão da Espanha, fez-se explodir o seu paiol de pólvora, destruindo-se uma das torres, na sequência da retirada das forças espanholas sob o comando do duque de Ossuna (1707).
Arruinada pelo tempo, em 1870 registravam-se grandes desmoronamentos na alvenaria das muralhas e torres.
Em meados do século XX o conjunto do castelo e das muralhas de Serpa foi classificado como Monumento Nacional por Decreto publicado em 30 de Janeiro de 1954, mesmo ano em que se adquiriu um troço da muralha à condessa de Cuba.
Em 1958 iniciaram-se trabalhos de consolidação do troço do aqueduto junto à Porta de Beja. Posteriormente, em 1973 foram adquiridos imóveis para demolição e desobstrução de novos troços das muralhas, bem como foram procedidos trabalhos de recuperação do troço existente à rua das Varandas, que prosseguiram no ano seguinte com a consolidação de troços junto à Porta de Moura e o reboco da Torre do Relógio. Nova campanha de reparação no troço de muralhas na rua das Varandas teve lugar em 1977, sucedendo-se, na década de 1980, novas intervenções na zona do castelo (1980, 1981-1982, 1983-1984, 1985-1986 e 1988).
No ano 2000, em decorrência dos fortes temporais na região, derruiu um troço da muralha.
Características
O castelo ergue-se no centro histórico da povoação, a duzentos e trinta metros acima do nível do mar. No plano mais elevado, junto à muralha, a norte, implanta-se a alcáçova, de planta quadrangular.
A cerca da vila apresenta planta ovalada, reforçada por cubelos e torres de planta quadrangular e semicircular, rematada por merlões prismáticos. Nela se rasgavam originalmente três portões monumentais (Porta de Moura, a nordeste, Porta de Beja, a noroeste e a Porta de Sevilha a sul, esta última hoje desaparecida) flanqueados por dois torreões cilíndricos chanfrados, estes com merlões de remate pentagonal. O pano oeste das muralhas é encimado por um aqueduto assente em arcada de vão redondo, unindo o Palácio dos condes de Ficalho, do lado norte e uma gigantesca nora assente num poço, junto ao ângulo sudeste, construída no século XVII para abastecer o palácio. Em período posterior foram abertas a Porta da Corredoura e a Porta Nova.
A muralha da alcáçova é reforçada pela Torre de Menagem, de planta quadrangular, adossada ao pano sul, de que resta a parte inferior; por um cubelo de planta semicircular pelo mesmo lado e por uma torre de planta retangular no ângulo sudeste, junto à qual é ainda visível uma parte da barbacã que a envolvia. Ali se encontra instalado o Museu Arqueológico de Serpa, expondo os testemunhos recuperados na região do Concelho, do Paleolítico, do Neolítico, da Idade dos Metais e da época romana.
Na praça fronteira à Igreja Matriz de Santa Maria (antiga mesquita muçulmana) ergue-se a chamada Torre do Relógio, de planta quadrangular, onde se ergue a sineira, com coruchéus de remate cônico rodeados por merlões chanfrados. Vestígio da cerca da vila, foi transformada em relógio em 1440, constituindo-se na terceira torre relojoeira mais antiga do país.
Inserido no pano das muralhas inscreve-se o Palácio dos condes de Ficalho, em estilo maneirista, iniciado por D. Francisco de Melo, alcaide-mor de Serpa no final do século XVI e prosseguido por seus filhos, D. Pedro de Melo, governador da Capitania do Rio de Janeiro (1662-1666), e D. António Martim de Melo, bispo da Guarda.

quinta-feira, 8 de março de 2012

PORTALEGRE: Fábrica de amêndoas reabriu

A fábrica das tradicionais amêndoas de Portalegre reabriu hoje, quatro anos depois de ter sido encerrada pela Autoridade de Segurança Alimentar e Económica (ASAE).
O encerramento da fábrica aconselhado pela ASAE, devido a falta de espaço, deixou marcas nos proprietários do negócio, “financeiras e emocionais”.
Além de Portalegre, as amêndoas da família Vintém, tinham grande procura nas zonas de Lisboa e Porto, mercados que agora pretendem recuperar.
A fábrica das amêndoas de Portalegre reabriu na sequência de um projeto desenvolvido por Marco Vintém, filho de Joaquina Vintém, que conta com a colaboração dos pais para garantir a produção e manter a tradição.
A família Vintém tinha por tradição começar a produzir as amêndoas pascais, pela época do Carnaval, a um ritmo de 50 quilos por dia.
Produzidas de forma artesanal há cerca de 100 anos pela família Vintém, as amêndoas de Portalegre constituem um dos cartões-de-visita da região, sobretudo durante a Páscoa.
As características únicas que as diferencia das outras amêndoas produzidas em Portugal são parte de um segrego que vai continuar guardado a “sete chaves”.
As amêndoas de Portalegre são confecionadas em duas caldeiras aquecidas, tipo betoneira, enquanto a família Vintém vai adicionando açúcar e chocolate, até que a amêndoa ganhe a textura e o seu tamanho normal.
Gabriel Nunes/José Nabo - Rádio Portalegre

Mulheres do Alentejo

Mulheres do Alentejo
Com papoilas nos olhos
São primaveras erguidas
Contra os bastões contra as balas
Oculto o rosto
Seus negros chapéus descidos
Frente ao sol
O claro choro nas mãos
Com bagos de amanhã.

São cor de terra
Cor de trabalho
Cor da habituação à dor.

Nossa Pátria do sofrimento
E do valor
Meu sinal de luz
Em toda a palavra que escrevo
Meu território do regresso e do futuro
Minha praia de secura
Percorrida pelo ódio e pelo pânico

Eis o ardente povo torturado
Esperança viva de um sonho feito carne
Mulheres searas fontes azinheiras
Nossa esperança, ainda em flor e fruto
No vermelho das feridas deste País de Abril.
Urbano Tavares Rodrigues (poema) - Manuel Ribeiro de Pavia (imagem)

terça-feira, 6 de março de 2012

CASTELOS DO ALENTEJO (6) - Belver (Gavião)

O Castelo de Belver, no Alentejo, localiza-se na freguesia de Belver, Concelho do Gavião, Distrito de Portalegre, em Portugal.
 Considerado um dos mais completos da arquitectura militar medieval portuguesa, ergue-se isolado no alto de um monte granítico, a Oeste da vila, em posição dominante sobre a confluência da ribeira de Belver com a margem direita do rio Tejo, guarnecendo a então chamada Linha do Tejo.
 História - O castelo medieval
 À época da Reconquista cristã da península Ibérica, uma onda de assaltos das forças Almóadas sob o comando do califa Abu Yusuf Ya'qub al-Mansur, determinou o recuo das fronteiras cristãs para a linha do rio Tejo (1190-1191). Nesse contexto, em 1194, D. Sancho I (1185-1211) doou a região entre o rio Zêzere e o rio Tejo, denominada Guidintesta, Guidi in testa ou ainda Costa, ao prior da Ordem dos Hospitalários, D. Afonso Pais, para ali se construir um castelo, denominado de Belver pelo monarca. Em 1210, quando D. Sancho I ditou o seu testamento, os Hospitalários, já ali instalados, receberam parte expressiva de sua herança, acreditando-se, por fontes coevas que o castelo estivesse concluído entre esse ano e o de 1212.
 Durante o reinado de Sancho II de Portugal (1223-1248) guardavam-se aqui os dinheiros do tesouro real.
Entre 1336 e 1341, a vila de Belver e seu castelo constituíram uma das Comendadorias mais importantes da Ordem do Hospital, embora a sua Sede e a Casa Capitular tenham permanecido em Leça do Balio.
Após a crise de 1383-1385, sob o reinado de D. João I (1385-1433), as guerras com Castela renovaram a importância estratégica da posição lindeira de Belver. Por esse motivo, já por volta de 1390, o Condestável D. Nuno Álvares Pereira mandou reconstruir as suas primitivas defesas, das quais só se conserva hoje a parte inferior da torre de Menagem.
 No século XVI foi habitado pela princesa Joana. Afirma ainda a tradição popular que, na juventude, o poeta Luís Vaz de Camões aqui esteve encarcerado (1553).
Ao se iniciar a dinastia filipina (1580), o castelo e a sua povoação se mantiveram fiéis a D. António, Prior do Crato. Data desse período, final do século XVI, a construção da capela sob a invocação de São Brás. No contexto da Restauração da independência portuguesa, há notícia de que o arquitecto Cosmander teria procedido reforços nas defesas do antigo castelo.
Do terramoto de 1755 aos nossos dias
O terramoto de 1755, causou-lhe sérios danos estruturais, agravados pelo estado de abandono em que mergulhou durante o século XIX, quando passou a ser utilizado como cemitério da povoação de Belver (1846).
No século XX, o terramoto de 1909 causou novos danos à fortificação, despertando a atenção das autoridades, que o elevaram à categoria de Monumento Nacional desde Junho de 1910. Na década de 1940 foram-lhe procedidas obras de reconstrução integral, a cargo da Direcção-Geral dos Edifícios e Monumentos Nacionais (DGEMN) (1939-1946). Posteriormente, foram-lhe procedidas intervenções de conservação nas muralhas, telhados e na capela (1976), na instalação eléctrica (1986), na torre de Menagem (1987-1988). Em 2005, encontravam-se em curso obras de conservação e restauro, a cargo do Instituto Português do Património Arquitectónico (IPPAR), dentro do Programa de Recuperação de Castelos.
Características - Capela de São Brás.
A estrutura apresenta planta com formato aproximadamente oval, com a torre de Menagem ao centro e capela renascentista.
A torre de menagem apresenta planta quadrangular com cunhais de cantaria e paredes espessas (cerca de 4 metros no primeiro pavimento). O primeiro pavimento é acessado por uma porta tripla em arcos redondos rasgada na face Sul, precedida de escada em alvenaria de pedra granítica adossada. No pavimento deste piso, pode-se visitar a cisterna escavada na rocha. Nele rasga-se ainda uma janela de moldura rectangular e ergue-se uma escada de acesso para a sala do segundo piso. Neste, por sua vez, rasgam-se uma janela semelhante à do pavimento inferior, uma porta em arco redondo a dar para os vestígios de uma antiga varanda e uma outra porta, também em arco redondo, que dá acesso à escada para o eirado. Este último apresenta ameias pouco largas e adarve que rodeia a cobertura telhada da torre. Os pisos superiores têm sido aproveitados na promoção de eventos culturais.
A cerca (muralha) apresenta adarve em todo o perímetro, ameias em alguns trechos e seteiras, reforçada por cubelos e dois torreões de planta rectangular, com as golas abertas para o adarve. A Sul abre-se a porta principal, em arco de volta redonda, datando do século XV, ladeada por dois cubelos desiguais. No lado Oeste, localiza-se uma cisterna, com duas bocas redondas, e no lado Norte, ergue-se a Capela de São Brás. No interior desta capela destacam-se o altar-mor de talha e os numerosos bustos-relicários das relíquias da Palestina que outrora se expunham sobre o altar, oferecido pelo Grão Prior do Crato ao príncipe D. Luís, filho de D. Manuel I.
in Wikipédia

SENHOR DOS PASSOS: Fé e tradição em Amieira do Tejo

As festividades do Senhor dos Passos são uma ancestral tradição religiosa de Amieira do Tejo, sempre com grande envolvimento emocional e de prova de Fé por parte de toda a população.
Nos dias 24 e 25 de Março, visite Amieira do Tejo, integre-se no espírito pascal e participe nas diversas manifestações religiosas.

domingo, 4 de março de 2012

CASTELOS DO ALENTEJO (5) - Castelo de Portel



 Foto de Jorge C. Reis
O Castelo de Portel, no Alentejo, localiza-se na vila, freguesia e concelho de mesmo nome, distrito de Évora, em Portugal.
Em um dos contrafortes da serra de Portel, ergue-se em posição dominante sobre a vila medieval. Nas vizinhanças merecem visita, além do castelo, a Igreja Matriz da Vera Cruz, as grutas de Algar e a barragem do Alqueva.
Embora a região seja rica em testemunhos arqueológicos, a primitiva ocupação humana do sítio do castelo é obscura. A toponímia Portel Mafomede, referida à época de D. Afonso III (1248-1279), transparece uma presença Muçulmana.
O castelo medieval
À época da Reconquista cristã da península Ibérica, os domínios de Portel Mafomede estavam compreendidos no primitivo termo de Évora, na doação feita por Afonso III de Portugal a João de Aboim, anteriormente a 1257. Este nobre, letrado, que chegou a desempenhar as funções de Mordomo-mor do reino, era tão somente um valido do soberano quando, após o conflito que opôs D. Afonso III a seu irmão, Sancho II de Portugal (1223-1248), foi agraciado com essa honra entre os termos de Évora e Beja, grosso modo coincidente com a serra de Portel. Em 1257, o monarca dirigiu cartas aos homens-bons de Évora para que aceitassem João de Aboim como seu vizinho. Tendo havido contestação acerca dos limites desta doação, somente após a demarcação de sua jurisdição, em 1261, o soberano autorizou a construção de um castelo onde melhor servisse aos interesses daquele nobre (1261). Desse modo, a 1 de Dezembro de 1262, João de Aboim, acompanhado por sua esposa e filho, passou Carta de Foral aos povoadores do castelo de Portel, em termos semelhantes aos de Évora.
Os trabalhos de construção então iniciados, terão prosseguido sob o reinado de D. Dinis (1279-1325), quando, após falecido o nobre, tendo surgido contenda entre os herdeiros pela posse da honra, o castelo reverteu para a posse da Coroa, por escambo entre o soberano e D. Marinha, viúva de João de Aboim, datado de 9 de Janeiro de 1289.[1] A este soberano é atribuída ainda, a ereção da cerca da vila.
No contexto da crise de 1383-1385, Fernão Gonçalves de Sousa, alcaide de Portel, tomou o partido de Castela, e com receio dos moradores, tomou-lhes as armas a todos e pô-las no castelo. Em Novembro de 1384, no desenvolvimento da campanha alentejana pelas forças do Condestável, D. Nuno Álvares Pereira, um clérigo de Portel, de nome João Mateus, abriu-lhes as portas da vila, facilitando a conquista da povoação e a rendição do castelo [2]. Os seus domínios, após a batalha de Aljubarrota estariam compreendidos na ampla doação de terras e direitos que o soberano fez aquele Condestável, passando, por sucessão, para os domínios da Casa de Bragança.
Posteriormente, sob o reinado de D. Manuel I, a povoação e seu castelo encontram-se figurados por Duarte de Armas (Livro das Fortalezas, c. 1509). Nessa época a estrutura do castelo foi remodelada dando lugar ao paço dos duques de Bragança e a uma barbacã (1510), ficando as obras a cargo do arquitecto-régio Francisco de Arruda, por instância de D. Jaime, duque de Bragança.
Do século XX aos nossos dias
Perdida a sua função defensiva, afastado da linha lindeira e das principais vias de acesso ao território alentejano, o castelo foi progressivamente abandonado até se converter em ruínas no século XIX.
No início do século XX, o conjunto foi classificado como Monumento Nacional por Decreto, publicado em 23 de Junho de 1910. A intervenção do poder público fez-se sentir pontualmente, em 1938, por iniciativa da Direcção-Geral dos Edifícios e Monumentos Nacionais (DGEMN). Propriedade da Fundação Casa de Bragança, a degradação do conjunto continuou progredindo até à derrocada de um torreão cilíndrico do paço e, mais recentemente, em Fevereiro de 1998, de um troço de muralha adjacente à torre de menagem, elemento que já havia sido objeto de intervenção na década de 1980. A nova intervenção teve lugar em 1999, a cargo da DGEMN, através da sua Direcção Regional Sul, com base em técnicas tradicionais de construção. O conjunto aguarda, entretanto, um plano abrangente de investigação e de musealização.
Características
O castelo, em estilo gótico, apresenta planta heptagonal reforçada por torres de planta circular nos vértices. A sua forma, novidade na arquitectura militar portuguesa à época, parece ter sido inspirada no Castelo de Angers, na França. É dominado pos uma imponente torre de menagem, de planta quadrangular, que se ergue a cerca de vinte e cinco metros de altura, dividida internamente em dois pavimentos acima da linha do adarve, ambos cobertos por abóbada em cruzaria de ogiva. O pavimento inferior serviu de cárcere. Foi utilizada a pedra mármore nos cunhais e nas janelas góticas. A porta de acesso à torre é em ogiva.
Esta torre protege o portão de acesso, a Norte, em arco apontado. Pelo lado Sul, a Porta de Beja determina um eixo viário interno em linha recta, ligando as duas portas. O conjunto conta com mais três portas, entre as quais a Porta do Relógio e a Porta do Outeiro. Na praça de armas abre-se uma cisterna e pode-se identificar os vestígios da Capela de São Vicente e as ruínas do paço ducal.
A cerca medieval da vila, não sobreviveu até nós. A defesa do castelo era complementada por uma barbacã, de que se conservam ainda importantes troços a Sul, Norte e Oeste, compostos por cortina reforçada por cubelos de planta quadrangular. É a essa barbacã reedificada por D. Manuel I, que corresponde a porta gótica encimada por brasões reais sobrepostos.
 in Wikipédia