domingo, 28 de outubro de 2012

O TRAJE DE NISA - Descrição do Prof. José Francisco Figueiredo

Trajes do Alentejo
Evolução do trajo e do penteado (camponeses, lavradores e artífices e suas famílias)
Em remotos tempos, as mulheres usavam saia de catimbé (au), fazenda espessa de lã, geralmente em azul escuro ou castanho, com barra amarela, cor de rosa ou encarnada. Estas saias tinham, de ordinário, três panos e eram demasiadamente compridas, passando mais tarde a usar-se por abaixo do joelho. Por baixo da saia de catimbé, faziam uma de estamenha, tecido de lã e linho; mas esta, em vez de barra, terminava por uma orla formada a pontos de trança de lã em espiral, distanciados de um centímetro pouco mais ou menos.
Usavam ainda, sob a estamenha, saias de beata de seda, uma espécie de flanela de algodão felpuda.
As camisas eram sempre de linho, sendo frequente encontrarem-se algumas em que a parte correspondente ao tronco era de linho e a inferior de estopa ou estopinha. Nas mangas, que quase todas tinham e nos ombros eram bordados com linha caseira, isto é, com fios de linha adrede preparados.
No peito, sobre a camisa, vestiam um colete de pano encarnado, enfeitado com fitas de cor diferente e sobre a roupinha, uma espécie de corpete muito justo e que, conforme se destinava ou não para dias festivos, era confeccionada em seda de várias cores, ou em pano azul de lã. As mangas desta interessante peça de vestuário eram também muito apertadas por meio de pregas longitudinais no braço e antebraço, notando-se apenas uma parte mais larga na região do cotovelo que deu a tais mangas a denominação de mangas de balão.
Sobre a roupinha usavam ainda a capa de bombonete, que era uma capa pequena de tule ou renda bordada de branco com que cobriam apenas os ombros e cujas pontas iam prender-se sobre o seio com um alfinete ou uma fita de seda branca. Nos dias de maior solenidade, como casamentos, festa de S. Pedro, etc., as lavradoras vestiam saias de seda chamadas saias de rua que, com o desuso, têm sido transformadas nestes últimos tempos em lindíssimas colchas.
Com o decorrer dos tempos, as saias de catimbau (bé) cederam o lugar às de castorina fina; a roupinha apertada, a outra de mangas largas feitas dos mais variados tecidos, e a capa de bambonete com lindíssimos lenços de pescoço, em lã ou seda, na maior parte das vezes bordados pelas portadoras.
As saias de castorina ainda hoje se usam, embora arrebicadas de pregas e plissados, e foram elas que, com os lenços de pescoço e a tradicional roupinha, constituíram, por largos anos, o trajo característico e interessantíssimo das donzelas nisenses.
Houve uma época em que o luxo e a ostentação se aferiam pelo número de saias usadas, sendo frequente aparecerem nos bailes raparigas cuja cintura tinha de suportar o peso de doze daquelas incómodas peças de vestuário! Era um martírio, principalmente de Verão! E, como se este peso não fosse bastante para cruciar as pobres moças, ainda o peito e o pescoço tinham de suportar a pressão de várias gargantilhas, cordões, grilhões, cadeias, etc., que algumas ostentavam, como ourivesarias ambulantes, vaidosamente. Servia-lhes de agasalho – e nem de outra forma saíam à rua – numa mantilha roxa, forrada de beata encarnada, na parte que colocavam sobre a cabeça. Mais tarde a mantilha roxa foi substituída por outra de pano preto, com que assistiam às cerimónias religiosas e ocultavam o rosto à indiscrição dos curiosos.
Hoje a mantilha apenas é usada por algumas viúvas mais aferradas à tradição e ainda assim só nos primeiros tempos de viuvez.
José Francisco Figueiredo - década de 1940

sexta-feira, 19 de outubro de 2012

ALPALHÃO: O falecimento de António Grave Caldeira

Faleceu, no dia 4, em Lisboa, vítima de um ataque cardíaco, o alpalhoense António Grave Caldeira.
Entusiasta da cultura, das tradições, do património e das gentes de Alpalhão, António Grave Caldeira fazia parte da Liga de Amigos de Alpalhão (LIAAL), da qual foi presidente.
Já reformado da companhia de seguros "Lusitânia Vida", António Grave Caldeira continuou em Lisboa, mas mantinha uma forte ligação a Alpalhão, que ficou chocada com a notícia do seu falecimento.
Foi um dos grandes mentores das comemorações dos 500 anos da atribuição do Foral Manuelino a Alpalhão, e foi por isso homenageado durante a efeméride, a que infelizmente já não conseguiu assistir. Faleceu aos 67 anos, muito antes de concretizar vários projectos que tinha desenhado para a sua vida, para a família e para Alpalhão.
À família enlutada, o Alto Alentejo apresenta as mais sentidas condolências.
in "Alto Alentejo" - 17/10/2012

ALENTEJO DANÇA E CANTA (1)

quarta-feira, 17 de outubro de 2012

II Prova de Licores de Arez

A Associação Sócio Cultural Amigos de Arez-ASAA, vai organizar no próximo dia 27 de Outubro às 16h00 a "II Prova de Licores de Arez".
Os(as) interessados(as) em exporem os seus produtos, devem inscrever-se junto da direcção da associação ASAA, até ao dia 26 de Outubro, cada expositor fica responsável pelos seus produtos durante a prova de licores.