sábado, 27 de abril de 2013

ESCRITORES ALENTEJANOS (1): Maria Rosa Colaço


 Maria Rosa Colaço ( 19/9/1935 - 13/10/2004) poetisa e prosadora, nasceu em Torrão (Alcácer do Sal), uma terra pequenina e branca atravessada por um rio que se pode atravessar saltando entre pedras e rãs – o rio Xarrama.
Teve uma infância feliz, numa casa grande, com muito espaço à volta onde cresciam flores, árvores, abelhas e brincava com um cão enorme: o Tomba-Lombos.
Aprendeu a ler aos três anos, aos quatro já escrevia, aos nove publicou o seu primeiro conto num suplemento infantil: Joaninha.
Decidiu não deixar de ser criança, ao menos por dentro, e um dia começou a escrever histórias em que tudo o que é possível mas também o impossível pode acontecer. Conhecem-na mais como escritora de literatura para crianças, o que não é verdade, por várias razões: porque a literatura deve ser uma coisa para toda a gente, sem calendário, sem datas, sem arames a dizer: isto é para ti que tens oito anos, isto para o senhor que já tem sessenta. Escrever ou ler é um acto de alegria. Só. E se existem pessoas jovens há mais tempo que já não têm paciência para sonhos ou para histórias inventadas do real, o problema é delas que não souberam descobrir que a vida tem vários rostos e a alegria várias palavras para ser pintada.
A Maria Rosa Colaço escreve também e sobretudo para as chamadas “pessoas grandes”. É jornalista. Neste momento trabalha na Capital e Máxima. Faz televisão. Viaja muito, gosta de ciganos, filmes policiais, histórias de ficção científica, exposições de pintura, música clássica e de dar grandes passeios pelo pinhal.
É casada e tem três filhos: Vasco Manuel, Maria Manuel, Sofia Manuel, e um neto: o Pedro.
Alguns dos seus livros: Estas crianças aqui, A Criança e a Vida, Não só quem nos odeia, Não quero ser grande, Espanta-pardais, Sofia e o Caracol, Gaivota, Maria Tonta como eu, Os amigos voltam sempre, Aventura com Asas, Viagens com homem dentro, O Coração e o Livro, etc..
Senhores professores, pais meninos e meninas, vamos então conhecer melhor Maria Rosa Colaço, escritora do Torrão, no nosso Alentejo.
·        Elaborado a partir de um texto de Eduardo Olímpio“Diário do Alentejo”27/10/1995

 OUTRA MARGEM
E com um búzio nos olhos claros
Vinham do cais, da outra margem
Vinham do campo e da cidade
Qual a canção? Qual a viagem?

Vinham p’rá escola. Que desejavam?
De face suja, iluminada?
Traziam sonhos e pesadelos.
Eram a noite e a madrugada.

Vinham sozinhos com o seu destino.
Ali chegavam. Ali estavam.
Eram já velhos? Eram meninos?
Vinham p’rá escola. O que esperavam?

Vinham de longe. Vinham sozinhos.
Lá da planície. Lá da cidade.
Das casas pobres. Dos bairros tristes.
Vinham p’rá escola: a novidade.

E com uma estrela na mão direita
E os olhos grandes e voz macia
Ali chegaram para aprender
O sonho a vida a poesia.
 Maria Rosa Colaço (poema musicado pelos Trovante no álbum «Baile no Bosque», 1981)

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Uma criança sentou-se na tarde agreste e pintou o sol. A sala onde a criança estava ficou iluminada e fresca. Depois, a criança misturou as tintas, a água, o sonho e, num grande cartão, lentamente, foi erguendo prados, lezírias, florestas, aves, flores inesperadas. Então, chamou a irmã que a um canto assistia à criação deste mundo original e disse: «Vamos fazer uma viagem!»
 E entraram os dois com seus olhos e sua imaginação pela tela dentro, alheios ao espanto de quem os contemplava nesse itinerário súbito da tarde de frio.
Misteriosamente, trocavam palavras de silêncio, encontravam-se com anões, gigantes e animais estranhíssimos, metade homens, metade bichos que, ora os assustavam, ora os desvaneciam.
A certa altura a menina disse:
 — Vamos chamar a mamã?
E o menino respondeu:
— Não podemos. É muito alta. Não cabe nestes caminhos: ia pisar tudo e estes bichinhos ficavam tristes. Muito tristes.
 A mãe, imóvel numa cadeira, ali mesmo à entrada desse lugar impenetrável e inacessível, ouvia o diálogo e tentava fazer-se pequenina para ir com eles. Mas não conseguia. Esforçava-se imenso e não conseguia. Tinha uma grande vontade de chorar por estar ali sozinha à beira daquele milagre mas as lágrimas não lhe adiantavam. Entretanto, os meninos, sempre a caminhar, tinham chegado ao mar. Era um mar sem abismos, sem ondas, sem temporais. Um mar susceptível de ser atravessado pelos pés levíssimos de quem o descobria.
— Vamos ao fundo deste mar! — disse a menina.
— Cá em cima é mais fresco. Lá em baixo há peixes grandes e escuros. Mordem, os peixes.
— E a mamã? — insistia a menina, já perturbada pela lonjura a que devia estar de casa, perturbada pelo bibe molhado, aflita com as algas verdes que se lhe colavam ao rosto.
— Levamos-lhe uma flor do mar. Ela fica contente se tem uma flor.
— Vamos já embora? — tornava a menina.
— Não. Só quando formos muiiiiiiito velhos.
A menina calou-se. Estava séria. Estendeu-se ao lado do irmão na areia branca daquela praia tranquila e distante.
Sentia-se muito cansada e adormeceu.
Então, amorosamente, o irmão tapou-a de folhas e flores imaginárias e ficou ali a velar-‑lhe o sorriso.
Quando reparou na mãe, estremeceu ligeiramente. Tinha os olhos brilhantes e, dos cabelos, escorria-lhe um perfume a sol e azul.
Sobre a tela, encostada a um armário, a noite começava a diluir em sombra toda a floresta, e o dorso dos animais marinhos erguia-se também numa respiração tranquila.
Maria Rosa Colaço - Não Quero Ser Grande - Lisboa, Ed. Escritor, 1996

Na idade própria
Na idade própria foste prá escolinha
aprender com letra muito redondinha.
Fizeste tricot, parecias rainha,
não sujaste os bibes, sempre arrumadinha.
Saíste da escola, sempre caladinha,
veio um namorado, mas tão seriazinha,
puseste o véu branco, tão bem casadinha!
De manhã à noite, tão asseadinha,
lavas bem os tachos, esfregas a cozinha,
pões as flores de plástico na tua salinha.
Como Deus mandou, cresce a barriguinha,
passam nove meses nasce-te a filhinha.
Fazes mais tricot, lavas mais roupinha.
Passam-se os anos, já és avozinha,
fazes mais tricot p´rá tua netinha.

Teu rosto, menina, não me sai da ideia,
vejo as tuas mãos a tecer a teia
em que, sem saberes, te vão enredar,
as aranhas anhas, do teu tricotar.
Se quiseres ser gente já não é capaz,
a morte na frente, o tédio p´ra trás.
Mas tens de ser gente, tens de ser capaz,
dois pontos à frente, nenhum para trás!
Maria Rosa Colaço

terça-feira, 2 de abril de 2013

Agradável afluência de dadores de sangue em Alpalhão



Para uma Freguesia de um concelho do interior: o que se pode dizer é que decorreu com agradável afluência a colheita que a Associação de Dadores Benévolos de Sangue de Portalegre – ADBSP – levou a efeito, a 23 de Março, em Alpalhão, concelho de Nisa. Isto mesmo nos disse António Eustáquio que também salientou a presença de cinco novos dadores de sangue, entre eles um jovem casal.
A brigada teve lugar na sede do Grupo Ciclo Alpalhoense e reuniu 39 voluntários, dos quais 13 mulheres.
Os exames médicos preliminares ditaram que nem todos poderiam estender o braço, sendo certo que foram armazenadas 33 unidades de sangue
No local da colheita foi servido o almoço convívio patrocinado pela Junta de Freguesia de Alpalhão.
Em Abril três colheitas
As próximas acções da ADBSP têm lugar aos sábados, entre as 09.00 h e as 13.00 horas: Sousel vai receber uma brigada, a 6 de Abril, nos Bombeiros; Arronches será brindada a 13 de Abril, nas instalações do Rancho Folclórico; Vale de Cavalos tem data marcada para 20 de Abril, na sede do Grupo Desportivo Cultural e Social desta Freguesia de Portalegre.
Certamente que aguardamos a presença de todos!
JR