terça-feira, 21 de maio de 2013

NISA: Festas populares de Santo António


PROGRAMA
Dia 13 – Quinta-Feira
17h – Abertura do bar
18h – Procissão desde a igreja do Espírito Santo até à ermida de Santo António com acompanhamento da banda da Sociedade Musical Nisense.
18,30h – Cerimónia de inauguração da nova cobertura da ermida de Santo António.
21 h – Abertura da quermesse
21,30h – Actuação da Orquestra Ligeira da Sociedade Musical Nisense
01h – Animação musical com DJ
Dia 14 – Sexta-Feira
17h – Abertura do bar
21h – Abertura da quermesse
22 h – Baile abrilhantado pelo grupo musical Bor(ó)Baile
Dia 15 – Sábado
13 h – Abertura do bar
14h – Torneio da Sueca
21h – Abertura da quermesse
22 h – Baile com o grupo “Domingos e Dias Santos”
- Actuação de Josélito Maia
- Continuação do baile até de madrugada
Dia 16 – Domingo
16h – Abertura do Bar
17,30h – Início do baile com o organista Nuno José
18h – Arruada com os Bombos de Nisa
18,30h – Exibição das Marchas Populares de Santo António
19h – Continuação do baile com o organista Nuno José

MÚSICA POPULAR DO ALENTEJO


segunda-feira, 13 de maio de 2013

A Pastorícia em Montalvão (Nisa): Um documento de referência



Encontrei numa feira Rui Manuel Fraústo Diogo Correia e tomei conhecimento do documento, registo escrito e notável DVD, que merece visão nas escolas do concelho e até sessão na biblioteca municipal.
O livrinho “A Pastorícia em Montalvão”, de sua co-autoria com a irmã Ana Maria Paiva Morão, é um levantamento sócio-antropológico cheio de referências linguísticas e também etnográficas, sobre a história e a vida da “vila”.
O filme de cerca de 105 minutos traz-nos um série notável de entrevistas e informações sobre o correr dos tempos e a vida no campo, testemunhos que formam as nossas comunidades, mesmo quando o tempo lhes modifica a prática social.
António Eloy

ESCRITORES DO ALENTEJO (2) - Urbano Tavares Rodrigues

 Urbano Augusto Tavares Rodrigues (Lisboa, 6 de Dezembro de 1923) é um escritor português.
Urbano Tavares Rodrigues não é apenas o grande escritor do Alentejo, das suas gentes e das suas paisagens, é também o romancista e contista de Lisboa e de outras atmosferas cosmopolitas que, como jornalista e professor universitário, bem conheceu, viajando por todo o mundo.
Catedrático jubilado da Faculdade de Letras de Lisboa, membro da Academia das Ciências, tem uma obra literária e ensaística muito vasta e traduzida em inúmeros idiomas, do francês e do espanhol ao russo e ao chinês. Obteve diversos prémios, entre eles o de Vida Literária da Associação Portuguesa de Escritores, o prémio Fernando Namora, o Ricardo Malheiros da Academia das Ciências, etc.
De entre os seus maiores êxitos de crítica e de público, lembramos A Noite Roxa, Bastardos do Sol, Os Insubmissos, Imitação da Felicidade, Fuga Imóvel, Violeta e a Noite, O Supremo Interdito, Nunca Diremos Quem Sois, A Estação Dourada.
Urbano Tavares Rodrigues, que foi afastado do ensino universitário durante as ditaduras de Salazar e Caetano, participou activamente na resistência e foi preso e encarcerado por várias vezes nos anos sessenta.
********************


Ficcionista e ensaísta, nascido em 1923, formado em Filologia Românica pela Faculdade de Letras de Lisboa. Foi leitor de Português nas universidades francesas de Montpellier e Sorbonne e, entre 1949 e 1955, foi professor nas áreas de Língua, Literatura e Cultura Portuguesas em Montpellier, Aix-en-Provence e Paris (Sorbonne). De regresso a Portugal, em 1955, foi nomeado assistente da Faculdade de Letras de Lisboa, cargo que seria obrigado a abandonar, desenvolvendo, entre meados dos anos 60 e até à Revolução de abril, uma intensa atividade como tradutor e como jornalista em periódicos como o Diário de Notícias. Em 1974, seria convidado a reintegrar os quadros da Faculdade de Letras de Lisboa, onde exerceu a atividade docente até 1993. A sua vivência durante o regime salazarista foi marcada por sucessivos envolvimentos em ações de resistência (integrou atos de rebelião estudantil; apoiou a candidatura do general Humberto Delgado à Presidência da República, em 1958; filiou-se, em 1969, no Partido Comunista Português; efetuou viagens clandestinas à Checoslováquia e a Cuba), mercê das quais foi por diversas vezes detido, viu algumas obras apreendidas e foi proibido de lecionar. No período pós-revolucionário, participou ativamente na vida política nacional, tendo integrado as listas do PCP nas eleições legislativas de 1975. Colaborou em publicações periódicas como Colóquio, Gazeta Musical e de Todas as Artes, Vértice, JL, tendo sido codiretor de Europa e integrado o corpo redatorial de Letras e Artes e de O Século. Foi diretor da extinta Sociedade Portuguesa de Autores e, em 1980, nomeado presidente da Associação Portuguesa de Escritores, tendo ainda integrado vários júris de prémios literários. No domínio do ensaio, em publicações ou como conferencista, destacam-se como temas de preferência as relações literárias luso-francesas e estudos capitais sobre autores como Manuel Teixeira Gomes, sobre quem redigiu a sua tese de licenciatura (sob orientação de Jacinto do Prado Coelho), e sobre quem defenderia a tese de doutoramento: Manuel Teixeira-Gomes - O Discurso do Desejo. A sua obra literária foi várias vezes distinguida, tendo recebido o Prémio Ricardo Malheiros para Uma Pedra no Charco, em 1958; o Prémio da Imprensa Cultural, em 1966, para Imitação da Felicidade; o Prémio Aquilino Ribeiro da Academia de Ciências para Fuga Imóvel, em 1982; o Prémio da Crítica do Centro Português da Associação Internacional de Críticos Literários, em 1987, para Vaga de Calor; o Prémio Fernando Namora para Violeta e a Noite, em 1991; e o Grande Prémio de Conto Camilo Castelo Branco, da Associação Portuguesa de Escritores, para A Estação Dourada. Como ficcionista, o escritor, que viveu em França durante a primeira metade dos anos 50, inscreve-se numa segunda geração neorrealista que, repensando o legado marxista, à luz do existencialismo e de um pessimismo com determinações históricas internacionais, no período do pós-guerra, e, mais em Uma Pedrada no Charco ou em Os Insubmissos, se alheou da experimentação estética ou da infinita curiosidade pelos recessos e pelas contradições da alma humana. Por tudo isso nunca tive propriamente escola. Sinto-me devedor do simbolismo. Do realismo e naturalmente do neorrealismo, mas também do surrealismo, que desde o início terá deixado sedimentos no meu estilo." (Cf. entrevista conduzida por José Manuel Mendes a Urbano Tavares Rodrigues, in Letras e Letras, n.º 18, 5 de junho de 1989.)
concretamente, em Portugal, num período de reforço dos mecanismos de repressão fascista, irá sendo permeável a uma intrusão da imaginação e do irreal no registo socialmente datado. Em entrevista inserta no número de Letras e Letras que lhe é consagrado, confessa ter sempre oscilado entre "o realismo e o fantástico": "a pressão da realidade envolvente, que era política e socialmente sórdida, empurrava-me com frequência, com o imperativo das grandes obrigações morais, para o testemunho, mas nunca esse testemunho-denúncia, tão marcado, parece-me,
Em fevereiro de 2002 recebeu o Prémio Vida Literária da Associação Portuguesa de Escritores.

Urbano Tavares Rodrigues foi casado com a também escritora Maria Judite de Carvalho.
OBRAS PUBLICADAS

Viagens

·                    1949 - Santiago de Compostela
·                    1956 - Jornadas no Oriente
·                    1958 - Jornadas na Europa
·                    1963 - De Florença a Nova Iorque
·                    1973 - Viagem à União Soviética e Outras Páginas
·                    1973 - Redescoberta da França
·                    1976 - Registos de Outono Quente
·                    1999 - Agosto no Cairo: 1956

Ensaios

·                    1950 - Manuel Teixeira Gomes
·                    1954 - Présentation de castro Alves
·                    1958 - O Tema da Morte na Moderna Poesia Portuguesa; integrado depois em O Tema da Morte: Ensaios
·                    1960; 1981 - O Mito de Don Juan
·                    1960 - Teixeira Gomes e a Reacção Antinaturalista
·                    1961 - Noites de Teatro
·                    1962; 2001 - O Algarve na Obra de Teixeira Gomes
·                    1964 - O Romance Francês Comtemporâneo
·                    1966; 1978 - Realismo, Arte de Vanguarda e Nova Cultura
·                    1966; 1978 - O Tema da Morte: Ensaios
·                    1968 - A Saudade na Poesia Portuguesa
·                    1969 - Escritos Temporais
·                    1971; 2001 - Ensaios de Escreviver
·                    1977 - Ensaios de Após-Abril
·                    1980 - O Gosto de Ler
·                    1981 - Um Novo Olhar sobre o Neo-Realismo
·                    1984 - Manuel Teixeira Gomes: O Discurso do Desejo
·                    1993 - A Horas e Desoras
·                    1994 - Tradição e ruptura
·                    1995 - O Homem sem Imagem
·                    2001 - O Texto sobre o Texto
·                    2003 - A Flor da Utopia

Contos e Novelas

·                    1952; 1990 - A Porta dos Limites
·                    1959; 1994 - Bastardos do Sol
·                    1971; 1996 - Estrada de Morrer
·                    1976; 1987 - Viamorolência
·                    1977; 1985 - As Pombas são Vermelhas
·                    1985 - Oceano Oblíquo

Novelas

·                    1955; 1985 - Vida Perigosa
·                    1956; 1982 - A Noite Roxa
·                    1957; 1998 - Uma Pedrada no Charco
·                    1959; 2012 - As Aves da Madrugada
·                    1960; 1978 - Nus e Suplicantes
·                    1963; 2000 - As Máscaras Finais
·                    1964; 2001 - Terra Ocupada
·                    1964 - A Samarra
·                    1968; 1987 - Casa de Correcção
·                    1972 - A Impossível Evasão
·                    1999 - O Último Dia e o Primeiro

Contos

·                    1970; 1992 - Contos da Solidão
·                    1977 - Estórias Alentejanas
·                    2003 - A Estação Dourada
·                    2008 - A Última Colina

Antologia

·                    1958 - O Alentejo
·                    1968 - A Estremadura
·                    2003 - O Algarve em Poemas

Romance

·                    1961; 2003 - Os Insubmissos
·                    1962; 1982 - Exílio Perturbado
·                    1966; 1988 - Imitação da Felicidade
·                    1967; 1974 - Despedidas de Verão
·                    1968 - Tempo de Cinzas
·                    1974; 1999 - Dissolução
·                    1979; 1986 - Desta Água Beberei
·                    1986; 1987 - A Vaga de Calor
·                    1989 - Filipa nesse Dia
·                    1991 - Violeta e a Noite
·                    1993 - Deriva
·                    1995 - A Hora da Incerteza
·                    1997 - O Ouro e o Sonho
·                    1998 - O Adeus à Brisa
·                    2000 - O Supremo Interdito
·                    2002 - Nunca Diremos quem sois
·                    2005 - O Eterno Efémero
·                    2006 - Ao contrário das Ondas
·                    2007 - Os Cadernos Secretos do Prior do Crato

Narrativa

·                    1969; 1973 - Horas Perdidas

Crónicas

·                    1970; 1974 - A Palma da Mão
·                    1971; 1976 - Deserto com Vozes
·                    1974 - As Grades e os Rio
·                    2003 - God Bless América

Teatro

·                    1971; 2001 - As Torres Milenárias

Ficção

·                    1972 - Esta Estranha Lisboa
·                    1982; 1992 - Fuga Imóvel
·                    1986 - A Vaga de Calor

Texto e fotografia

·                    1996 - A Luz da Cal
·                    1998 - Margem da Ausência

Outros

·                    1965; 1998 - Dias Lamacentos
·                    1966 - Roteiro de Emergência
·                    1974 - Perdas e Danos
·                    1975 - Diário da Ausência
·                    1975 - Palavras de Combate
·                    1998 - Os Campos da Promessa
Destino
I
Trago na fonte
e estrela do fogo
da minha revolta
Nunca aceitaria qualquer tirania
nem a do dinheiro
nem a do mais justo ditador
nem a própria vida eu aceito...
tal como ela é
com todas as promessas
do amor e da juventude
e a parda doença
de envelhecer
a morte em cada dia
antecipada
II
Na mais lebrega alfurja

ou na cama de folhas macias
da floresta
onde a chuva te adormeceu
há sempre um idamante de sol
cujos raios te penetram de
ventura
ao sonhares a palavra
liberdade
III
Quando a terra poluída

tiver sorvido
toda a água dos lagos e das
fontes
hei-de levar o meu fantasma
até ao porto sonoro
onde a esperança cai a pique
sobre o mar dos desejos sem limite
Urbano Tavares Rodrigues, in "Horas de Vidro"

domingo, 5 de maio de 2013

Poema para o DIA da MÃE



Poema à Mãe
No mais fundo de ti
Eu sei que te traí, mãe.
Tudo porque já não sou
O menino adormecido
No fundo dos teus olhos.
Tudo porque ignoras
Que há leitos onde o frio não se demora
E noites rumorosas de águas matinais.
Por isso, às vezes, as palavras que te digo
São duras, mãe,
E o nosso amor é infeliz.
Tudo porque perdi as rosas brancas
Que apertava junto ao coração
No retrato da moldura.
Se soubesses como ainda amo as rosas,
Talvez não enchesses as horas de pesadelos.
Mas tu esqueceste muita coisa;
Esqueceste que as minhas pernas cresceram,
Que todo o meu corpo cresceu,
E até o meu coração
Ficou enorme, mãe!
Olha - queres ouvir-me? -
Às vezes ainda sou o menino
Que adormeceu nos teus olhos;
Ainda aperto contra o coração
Rosas tão brancas
Como as que tens na moldura;
Ainda oiço a tua voz:
Era uma vez uma princesa
No meio do laranjal...
Mas - tu sabes - a noite é enorme,
E todo o meu corpo cresceu.
Eu saí da moldura,
Dei às aves os meus olhos a beber.
Não me esqueci de nada, mãe.
Guardo a tua voz dentro de mim.
E deixo as rosas.
Boa noite. Eu vou com as aves.
Eugénio de Andrade