sábado, 15 de junho de 2013

A música e os santos populares

Os fadistas por ordem de actuação: Liliana Martins, Nelson Lemos, Lena Valério, Ana Catarina Grilo e Maurício Cordeiro. No acompanhamento musical estão o jovem Pedro Henriques na guitarra portuguesa e o mestre José Carvalhinho na viola de fado.

Evento promocional ás portas do Coliseu dos Recreios de Lisboa na apresentação do novo disco do Jorge Fernando (Chamam-lhe Fado) aos associados e convidados do Montepio.

quinta-feira, 13 de junho de 2013

Casal sul-africano percorre Portugal a pé


1900 Kms pela promessa de um mundo melhor 
José (Joe) Pereirinha e Brigitte Zoghby, um casal sul-africano, estão a percorrer Portugal a pé, numa caminhada que teve início e finalizará em Setúbal. Há quatro semanas nas estradas do sul do país e após 700 quilómetros percorridos, José e Brigitte chegaram a Nisa e contaram-nos os motivos e sucessos desta sua aventura pedestre.
José Pereirinha tem 58 anos e nasceu em Pedrógão Pequeno, filho de pais alentejanos, do Torrão. Ainda pequeno rumou até Moçambique, para onde o pai foi trabalhar na construção de uma barragem. Malawi, Zimbabué e África do Sul, onde se fixou em 1978, foram os países em que viveu. É gerente de um restaurante em Joanesburgo, do qual a sua amiga, Brigitte Zoghby, de 53 anos, é cliente habitual. 
José Pereirinha explicou-nos como nasceu a ideia desta caminhada pelas estradas de Portugal.
“Há 3 anos estive quase a morrer. Caí três vezes, no restaurante, sem ninguém saber. A última vez fiquei com muitas dores e mal me tinha de pé. Prometi, então, que se ficasse bom, faria qualquer coisa em benefício de pessoas pobres. A primeira coisa que ocorreu foi contornar, a pé, a África do Sul. São mais de 6 mil quilómetros e fiz as contas: demoraria mais de um ano. Não podia ausentar-me do restaurante durante tanto tempo. Aí pensei, por que não ir conhecer o país onde nasci?”
Expôs a sua ideia à amiga Brigitte, com experiência de caminhadas, e começaram a treinar em conjunto, percorrendo todas as manhãs entre seis e sete quilómetros.
Prepararam as malas para a viagem a Portugal, os clientes do restaurante e amigos incentivaram-nos e arranjaram diversos patrocinadores. Até uma rádio local de Joanesburgo, a 702 Talk Rádio Interview, deu destaque à iniciativa e todos os dias entra em contacto directo com os dois caminheiros, explicando aos ouvintes, os contornos desta aventura por terras portuguesas.
José e Brigitte não têm palavras para definir a beleza e os cambiantes das paisagens por onde têm passado. Acharam as pessoas um pouco tristes e melancólicas. Elogiaram, no entanto, o acolhimento e a simpatia com que têm sido distinguidos pelas corporações de bombeiros, um apoio que consideram inestimável para concretizarem esta iniciativa, bem como a amabilidade e apoio com que foram acolhidos pelo senhor João Junceiro, em Alpalhão.
Seguiram para norte, rumo a Vila Velha de Ródão e Sertã, sob a ameaça de chuva. José quer mostrar à companheira de viagem, a terra onde nasceu, a Barragem do Cabril e outras que o pai ajudou a erguer, enquanto ele, menino, brincava.
Ao fim de três meses, espera ter a caminhada concluída e visitar, finalmente, a terra dos seus pais: a aldeia do Torrão, perto de Alcácer do Sal. Uma aventura cujo percurso pode ser acompanhado no site  www.strides4strokes.wordpress.com ou www.facebook.com/strides4strokes , e no qual os visitantes podem contribuir com donativos para a Heart and Stroke Foundation South África, associação de ajuda na área da cardiologia.
Mário Mendes

terça-feira, 4 de junho de 2013

Fundação Calouste Gulbenkian apoia projeto do IPCB / Escola Superior de Educação

DIÁLOGOS… CIÊNCIA, TRADIÇÃO E CULTURA
O projeto do IPCB / Escola Superior de Educação “Diálogos… Ciência, Tradição e Cultura” vai ter o apoio financeiro da Fundação Calouste Gulbenkian. A candidatura foi apresentada pelas docentes do IPCB/ESE Dolores Estrela Alveirinho, Helena Margarida Tomás, Margarida Afonso e Paula Esteves, e visa “a promoção da literacia científica através da valorização e interligação com a cultura portuguesa”. A ideia é “interpretar e explicar a nossa cultura em termos científicos, centrada nas tradições ancestrais”.
Em termos de objetivos específicos, o projeto prevê “pesquisar tradições que ainda não foram objeto de estudos anteriores”, “construir materiais e recursos didáticos que permitam explorar, estudar, conhecer e valorizar as tradições portuguesas”, “implementar ações de formação e de sensibilização” e “publicar dois livros temáticos”, entre outros.
O projeto “Diálogos… Ciência, Tradição e Cultura” pretende dar continuidade ao trabalho que tem vindo a ser desenvolvido pelas docentes do IPCB/ESE, envolvendo a pesquisa de tradições portuguesas, a sua interpretação e explicação científicas, e que já deu origem a publicações, nomeadamente ao livro “Ciência a Brincar 10 - Ciência no tempo dos nossos Avós” e à recente criação do Centro de Recursos de Ideias e Materiais “Ciência, Tradição & Cultura” (CT&C), sedeado no IPCB/ESE.
As tradições que se pretendem explorar, e que ainda não foram objeto de pesquisas anteriores profundas, são sobre o sobreiro e cortiça; abelhas e mel; barro e olaria; azeitona e azeite; linho, seda e bordados de Castelo Branco; vime e cestaria; granito e cantaria.
As tradições ligadas a estes temas permitirão explorar conceitos científicos diversos e muito relevantes, como por exemplo os conceitos de isolamento térmico e de isolamento sonoro, a propósito do estudo das tradições relacionadas com a cortiça e o barro.
De acordo com as docentes do IPCB/ESE “os conceitos científicos serão explorados e desenvolvidos através de diferentes metodologias, como a exploração de textos, entrevistas e diálogo com artesãos e adultos idosos, cientistas, envolvendo (quase) sempre a realização de atividades experimentais”.
O projeto prevê que os “materiais e recursos serão concebidos para crianças a frequentar a educação pré-escolar ou o ensino básico e alguns desses materiais serão adaptados a crianças com necessidades educativas especiais. Outros serão direcionados a adultos como pais, avós, professores, animadores culturais, responsáveis pela área educativa dos museus”.
A candidatura apresentada à Fundação Calouste Gulbenkian envolve também “a formação de profissionais, de instituições direta ou indiretamente ligados à educação formal (agrupamento de escolas) e não formal (museus, universidade sénior e associações diversas), a realização de encontros mensais entre diferentes participantes (idosos e crianças; artesãos e cientistas; professores e animadores) no sentido de partilha de conhecimentos, a implementação de atividades experimentais, a publicação de dois livros e, ainda, a realização de um encontro final, em que todos serão convidados a participar”.
Na concretização dos objetivos do projeto estarão envolvidas diversas entidades parceiras, nomeadamente Agrupamento de Escolas Afonso de Paiva, APSARA /Cine Teatro Avenida, Associação Educar Reabilitar, Incluir Diferenças – ERID, Associação Portuguesa de Pais e Amigos do Cidadão Deficiente Mental de Castelo Branco - APPACDM, Casa da Infância e Juventude de Castelo Branco – CIJE, Jornal Reconquista, Lar Major Rato, Museu do Canteiro, Museu Francisco Tavares Proença Júnior, Universidade Sénior Albicastrense – USALBI / Associação de Desenvolvimento Amato Lusitano.
Para as docentes responsáveis pelo projeto “Diálogos… Ciência, Tradição e Cultura” este tem como grande lema: “Não podemos esquecer a nossa memória! Todos podemos ajudar a lembrá-la”.