quinta-feira, 30 de janeiro de 2014

Poesia social do Alentejo (2)

Camponês

O amor do camponês
Não dura mais que uma hora
Quando chega o fim do mês
Deixa tudo e vai-se embora

O camponês é gaiato
Já trabalha na herdade
Sente uma certa amizade
Pelo pano cru do seu fato
Manda tirar o retrato
Com orgulho e altivez
O retrato de um maltês
Uma linda criatura
Sempre é sol de pouca dura
O amor do camponês

Vai à feira de S. Miguel
Gosta muito de ir à feira
Uma noite dorme em Fronteira
Na outra noite em Sousel
Chega a perder um quartel
Essa vida ele adora
O camponês já namora
E é a filha do patrão
Mas essa grande paixão
Não dura mais que uma hora

Camponês de Baleizão
De Estremoz e Flor da Rosa
De Borba e Vila Viçosa
De Portalegre e Marvão
Do Crato e de Alpalhão
Tanto trabalho já fez
E descansa pouca vez
Para fazer um mealheiro
E já tem algum dinheiro
Quando chega ao fim do mês

O camponês tem alegria
Alegria e sentimento
Andar à chuva e ao vento
Nem sempre dá arrelia
O camponês de Pavia
De Cabeção e de Mora
O camponês até chora
No dia da abalada
Mas no fim da temporada
Deixa tudo e vai-se embora.
Manuel Luís Caeiro, de Pavia 

TOLOSA (Nisa): XII Passeio TT - Motos e Quads


terça-feira, 28 de janeiro de 2014

POESIA SOCIAL DO ALENTEJO (I)

Moças de Bencatel (1908)
 Ó moças de Bencatel,
Não vos zangueis se vos ralho:
Muito amor, pouco trabalho;
Pouco trigo, muito mel;
- Fiai-vos no que vos digo
E não fiqueis mal comigo,
Ó moças de Bencatel –
Para vós, para a lavoura,
Tomai tento, melhor fora
Muito trigo e pouco mel.

Vejo terras de pousio,
Que andaram sempre lavradas,
Todas cobertas de flores;
Mas quando chegar o frio
E passarem os calores,
E as chaminés apagadas
E as camas sem cobertores,
Mal irá às namoradas
E pior aos lavradores.

Funçanatas e derriços,
Cantigas e pasmaceiras,
Fazem fugir aos serviços
E faltar às sementeiras:
Eis porque estão os cortiços
Abarrotados de mel
E estão desertas as eiras,
Ó moças de Bencatel.

Como abelhas, as cantigas,
Por entre moitas e brejos,
Fabricam favos de beijos
Nas bocas das raparigas,
E os mocetões das aldeias,
Sem canseiras nem cuidados,
Largam ancinhos e arados
Para crestar as colmeias...

Ó moças de Bencatel,
Vós tendes as bocas cheias...
Acautelai-vos, senão
Haveis de ficar sem mel,
Sem maridos e sem pão!
Conde de Monsaraz
(Musa Alentejana, Lisboa, 1908)
Desenho de Manuel Ribeiro de Pavia 

sexta-feira, 24 de janeiro de 2014

JANEIRO: Cai neve no Alentejo...

Uma bela foto tirada no dia 17 de Janeiro, em Marvão. De quando em vez cai neve no Alentejo e o acontecimento oferece-nos imagens de rara beleza.

quarta-feira, 22 de janeiro de 2014

Exposição ao Ministro da Agricultura (1934)

O ministro Passos tirou da cartola, não um coelho, mas mais uma das suas ideias luminosas para extorquir dinheiro aos mais pobres. Exige o ministro Coelho e a sua vistosa parceira da Agricultura, que os pequenos agricultores se inscrevam nas Finanças, para lhe poder controlar os passos e a produção de couves e nabiças.
Vem a propósito, por isso, uma “Exposição” dirigida ao Ministro da Agricultura, em Fevereiro de 1934 e que com toda a actualidade que mantém, pode ser endereçada também à Luisinha das Finanças e ao próprio primeiro-ministro.

Ao Excelentíssimo Senhor Ministro da Agricultura
Exposição

Porque julgamos digna de registro
a nossa exposição, senhor Ministro,
erguemos até vós, humildemente,
uma toada uníssona e plangente,
em que evitámos o menor deslize
e em que damos razão da nossa crise.

Senhor! Em vão, esta província inteira,
desmoita, lavra, atalha a sementeira,
suando até à fralda da camisa.

Falta a matéria orgânica precisa
Na terra, que é delgada e sempre fraca.
- A matéria, em questão, chama-se caca.

Precisamos de merda, senhor Soisa!
E nunca precisámos de outra coisa.

Se os membros desse ilustre Ministério
querem tomar o nosso caso a sério,
se é nobre o sentimento que os anima,
mandem cagar-nos toda a gente em cima
dos maninhos torrões de cada herdade.


E mijem-nos, também, por caridade!

O senhor Oliveira Salazar
quando tiver vontade de cagar
Venha até nós!...

Solícito, calado,
busque um terreno que estiver lavrado
e,... como Presidente do Conselho,
queira espremer-se até ficar vermelho!

A Nação confiou-lhe os seus destinos?...
Então, comprima, aperte os intestinos;
se lhe escapar um traque, não se importe,
... quem sabe se o cheirá-lo nos dá sorte?
Quantos porão as suas esperanças
num traque dos Ministro das Finanças?...
E quem viver aflicto, sem recursos,
Já não distingue, os traques, dos discursos.


Não precisa falar! Tenha a certeza
que a nossa maior fonte de riqueza,
 desde as grandes herdades às courelas,
provém da merda que juntarmos nelas.

Precisamos de merda, senhor Soisa!
E nunca precisámos de outra coisa.

... Adubos de potassa?... Cal?... Azote!?...
Tragam-nos merda pura, de bispote!

E todos os penicos portugueses
durante, pelo menos, uns seis meses,
sobre o montado, sobre a terra campa,
continuamente nos despejem trampa!

Terras alentejanas, terras nuas,
desespero de arados e charruas,
quem as compra ou arrenda ou quem as herda
sente a paixão nostálgica da merda...

Precisamos de merda, senhor Soisa!
E nunca precisámos de outra coisa.

Ah!... Merda grossa e fina! Merda boa
das inúteis retretes de Lisboa!...
Como é triste saber que todos vós
andais cagando sem pensar em nós!

Se querem fomentar a agricultura
mandem vir muita gente com soltura.
Nós daremos o trigo em larga escala,
pois até nos faz conta a merda rala.


Venham todas as merdas, à vontade,
não faremos questão da qualidade.
Formas normais ou formas esquisitas!
E, desde o cagalhão às caganitas,
desde a pequena póia à grande bosta,
de tudo o que vier, a gente gosta.


Precisamos de merda, senhor Soisa!
E nunca precisámos de outra coisa.

Évora, 3 de Fevereiro de 1934
Pela Junta Corporativa dos Sindicatos Reunidos do Norte, Centro e Sul do Alentejo
O Presidente,
Dom Tancredo (o Lavrador)

terça-feira, 21 de janeiro de 2014

VAMOS FAZER UM PETISCO

SALADA DE NISA
Ingredientes:
1 alface pequena
500 g de tomate
1 cebola grande
200 g de atum em lata
12 azeitonas pretas
3 colheres (sopa) de azeite
1 colher e 1/2 (sopa) de vinagre de vinho
1/2 colher (chá) de sal
1 pitada de pimenta branca
2 ovos cozidos.
Preparação:
Separe as folhas de alface, lave bem, enxugue e corte aos bocadinhos. Lave os tomates e corte-os em oitavos. Descasque a cebola e corte-a às rodelas fininhas. Corte o atum e deixe escorrer o azeite. Misture tudo com azeitonas. Bata o azeite com o vinagre, o sal e a pimenta, e deite-os gota a gota na salada. Descasque os ovos e parta-os em oitavos.

ALPALHÃO: Festejos em honra de São Sebastião


quinta-feira, 16 de janeiro de 2014

POESIA DO ALENTEJO

É V O R A
Terra branca onde o sol mora
e onde a saudade faz bem...
Teus palácios cor da aurora
em ruas cheias de outrora
onde o tempo se detém.

Aqui a noite é calada
com medo de te acordar.
E ao romper de madrugada
pareces - tão sossegada! -
Uma pomba a descansar.

E quando o luar te abraça
por se julgar teu irmão,
até parece que passa
Nossa Senhora da Graça
à Porta de Santo Antão!

Desde a Rua da Ladeira
À Rua do Salvador
tens a cor e a maneira
da moça que se fez freira
por um desgosto de amor...

Terra branca onde o sol mora
e a idade é formosura:
só queria, cidade moura,
que esta alma que em mim chora
tivesse a tua brancura!


Rosa Lobato de Faria (1960)

quarta-feira, 15 de janeiro de 2014

NISA: Encontro com o Prof. Jorge Rio Cardoso

Encontro em Nisa com o Prof. Jorge Rio Cardoso
Autor dos livros "O Método ser bom aluno - Bora lá" e o "Professor do Fututo"
Quarta-Feira, dia 5 de Fevereiro - Agrupamento de Escolas de Nisa
15h - Sessão para alunos

18h - Sessão para pais e professores

terça-feira, 14 de janeiro de 2014

Sporting de Nisa organiza Campeonato Distrital de Corta-Mato

 O 1.º Corta-Mato do Sporting Clube de Nisa é uma prova de atletismo (corta-mato) e realiza-se no dia 1 de Fevereiro de 2014, entre as 15h00 e as 17h00, nos terrenos da Zona de Atividades Económicas, organizado pelo Sporting Clube de Nisa com o apoio da União de Freguesias do Espírito Santo, Nossa Senhora da Graça e São Simão e da Câmara Municipal de Nisa e a colaboração técnica da Associação de Atletismo do Distrito de Portalegre.
Nesta competição será disputado o Campeonato Distrital de Corta-Mato que se regerá pelo regulamento em anexo.
A competição integra a Liga AADP Corridas.

sexta-feira, 3 de janeiro de 2014

NISA: Festas em honra de S. Sebastião (Mártir Santo)

Cinco dias de festa com muita música, calor e animação
Organizadas pela Associação de Amigos do Mártir Santo, realizam-se nos dias 20, 23, 24, 25 e 26 de Janeiro, os festejos populares em honra de S. Sebastião.
Este ano com um programa festivo bastante diversificado, que integra as celebrações religiosas e outras de carácter mais vincadamente pagão, as festas do Mártir Santo têm início no dia 20, consagrado a santo popular, às 17,30h com a oração do terço, seguida de missa solene e procissão, entre a capela e a Igreja Matriz.
No dia 23, quinta-feira, os festejos abrem com o acender do lume, a imponente fogueira que será presença constante calorosa durante o fim-de-semana festivo e haverá animação musical a cargo de Fábio Martins e Pito.
O baile animado pelo músico Marco Morgado e a actuação do Grupo de Sevilhanas da Escola Silvina Candeias, completam o programa do dia 24, sexta-feira.
No sábado, o destaque vai para o sempre aguardado lançamento do balão, seguido do não menos imponente espectáculo de fogo de artifício, e pela cerimónia de oferta de equipamento à Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários de Nisa, um gesto de grande significado e que honra a Comissão de Festas.
Antes, pelas 16 horas, haverá animação no recinto das festas com o grupo de danças da Cerci Portalegre e pinturas faciais, e à noite não faltará a alegria contagiante do músico Zé Águas para dar cor e animação aos primeiros festejos populares do ano.
No domingo, dia 26, o bar e o bazar abrem mais cedo, logo a seguir ao almoço. É o último dia das festas do Mártir Santo e aquele em que os devotos de S. Sebastião acorrem ao local para deixaram os seus presentes, designados por ramos e fogaças, destinados a serem leiloados, colocados em arrematação, acto a que dá especial significado o artista popular nisense Diogo Guerra.
A animação musical não faltará, desta vez, com o desempenho de Marco Paulino.
A Comissão de Festas lembra que durante os dias dos festejos e para condimentar os mesmos, haverá um esmerado serviço de bar com frangos, bifanas, cacholeiras, caldo verde e açorda alentejana.
Caso para dizer que os visitantes podem abanar o capacete à vontade que a barriga não terá motivos para “dar horas”.
Mário Mendes