sexta-feira, 21 de março de 2014

POETAS ALENTEJANOS DE ONTEM E DE HOJE

O MANDARIM
(Joaquim Namorado)

Cansado da sua longa história
O mandarim medita
com a cabeça deitada no Tibete
e os pés no mar.

Depois de mil batalhas
perdeu a força o braço vencedor
de cortar cem mil cabeças
a cem mil vencidos.

Prazeres de paz aborrecidos
já desfolhados nos jardins dormentes
dos lagos do tédio apodrecidos.

Quando passou a embriaguês ardente
e o combate é já glória
e o sonho realidade
ficam apenas os prazeres pequenos
do requintado cansaço

Jardim dos Suplícios de Suma Sabedoria.
Só as pequenas doses dão ainda
a procurada emoção:
de tudo e só um pouco mais
de quanto é possível suportar
multiplicado até ao infinito
– a gota que torna fatal a taça de veneno,
o miligrama que faz o peso esmagador,
o segundo a mais de prazer que o torna dor,
o milímetro preciso para a punhalada ser mortal.

E quando nada resta a quem tudo perdeu
por de tudo se fartar
só pode nada querer, nada pensar,
é deixar criar raízes no peito e ficar
no tempo e na vida a apodrecer.

 Joaquim Namorado - Poeta nascido em Alter do Chão (1914)

quarta-feira, 5 de março de 2014

Cartier Bresson no Alentejo em 1955 (I)

É uma foto de mestre. O mestre Cartier Bresson visitou Portugal em 1955 e captou no Alentejo algumas imagens de grande beleza. Como esta que mostra, em toda a sua grandeza e realismo, a planície alentejana.