domingo, 25 de maio de 2014

ALPALHÃO (Nisa): AJAl e ATL recriam casamentos antigos

A AJAL e o ATL promovem no dia 31 de Maio, uma iniciativa conjunta de recriação dos casamentos antigos de Alpalhão. O evento terá início às 21,30 no Largo do Coreto e as duas associações convidam a população e visitantes a assistirem a esta iniciativa cultural, com uma grande componente tradicional e etnográfica.
Venha participar numa noite de animação e reviver as emoções de outros tempos. Não perca esta oportunidade e participe. Valorize a nossa terra e o seu património com a sua presença neste evento que vai ser cheio de luz, beleza e bom gosto para receber as mais belas noivas. A noite será encanto e cheia de recordações antigas. Recordar é viver.

terça-feira, 20 de maio de 2014

ARNEIRO (Nisa): Festival Gastronómico "Sabores do Rio"

Sexta-feira 6 de Junho de 2014
15h00: Ação de sensibilização da população sobre as queimadas, limpeza da floresta e incêndios: ICNF, GMDF e Bombeiros.
18h00: Abertura oficial atuação do Grupo de Bombos Toc & Rodão.
18h15: Porto de Boas Vindas.
18h30: Receção aos convidados pela Presidente da Junta de Freguesia.
18:40: Discurso de Abertura e atuação do Grupo Musical Fora D'Horas (Marcha do Arneiro).
19h00: Mostra do Festival aos convidados atuação do Grupo de Bombos Toc & Rodão.
20h00: Serviço de Jantares.
21h30: Serão Musical com Grupo Not Yet, Manuel Emídio, Dj Soundz.
04h00: Encerramento do Festival
Sábado 7 de Junho de 2014
08h00: Início das Atividades de rio e lazer: Birdwatching no Tejo, Concentração de motorizadas antigas, Descida do Tejo em canoa.
10h00: Reabertura do Festival.
12h00: Serviço de Almoços.
13h00: Atividades de rio e lazer: Passeio de Barco no Tejo, Workshop de culinária.
16h00: Tarde Musical com Grupo de Bombos de Nisa.
20h00: Serviço de Jantares.
21h30: Serão Musical com Grupo Musical Fora D'Horas, Banda Omega, Dj Soundz.
04h00: Encerramento do Festival.
Domingo 08 de Junho de 2014
08h00: Início das Atividades de rio e lazer: Percurso Pedestre, Concurso de pesca, junto à hortinha, Aula de Zumba ao ar livre.
10h00: Reabertura do Festival.
12h00: Serviço de Almoços.
13h00: Atividades de rio e lazer: Passeio de Barco no Tejo, Birdwatching no Tejo.
15h00: Missa em homenagem aos Pescadores.
16h00: Tarde Musical com Grupo de Bombos Gentes de Rodão, Filarmónica Retaxense, Grupo de cantares O Semeador.
17h00: Tarde desportiva: Resistência BTT.
20h00: Serviço de Jantares, Dj de música tradicional.
23h00: Encerramento Oficial do Festival.

segunda-feira, 19 de maio de 2014

Chamava-se Catarina, o Alentejo a viu nascer... (II)

A morte de Catarina Eufémia - Desenho de José Dias Coelho
LAIVOS DE AQUENTEJO
Luísa Vilão Palma
O panal era branco em rendas de suor, como a cal que a Ti Liberta fervia no azado, ao fundo da rua do monte. O ervaçal no empedrado. O monte era o rumo dos dias nas tardes calmosas. Deixava a tarimba ao luzir do buraco, enquanto o cão ansiava a bôla de farelo, impaciente. A cauda do animal agitava-se na cadência dos passos da mulher.
O patrão podia aparecer a qualquer hora. O cereal amassado a crescer. O forno em labaredas de coração apaixonado na metáfora do escritor.
— Bom dia, Ti Liberta, já soube da desgraça?
-Oh! home, o que dizes tu?
O olhar da mulher fraquejou, começou a toldar-se, fundindo-se na sombra da azinheira solitária que o artista empresta à tela camponesa as tuas mãos em gesto ritmado no movimento da foice as paveias soam a queixume de quem implora o pão.
 ...Hás de fazer do teu lenço vermelho a única bandeira viva sobre a terra...
 Sim, a desgraça, ti Liberta. Ela caiu. Ali mesmo.
 Entre a terra e o céu. Lá. Pelo Maio calmoso das aceifas escureceu o sol tardiamente, beijando-lhe a face pela última vez. Lá. Onde a imensidão. Vagueiam gestos ousados em lágrimas de sangue da mulher.
O cereal amassado a crescer. O forno em labaredas de ódio no retrato da tirania.
Ti Liberta, abra os olhos.
Já faz tempo que a ceifeira, na voz de todas as ceifeiras, deixou rolar a foice entre o trigal, desesperada. Foi por mor do acrescento de uns tostões à jorna.
Ficou tamanho eco no infinito da gente que lutou até à exaustão.
A tua foice, Catarina.
Alentejo, vestimos os teus panos. Tu matas-nos a sede.
CANTAR ALENTEJANO
Vicente Campinas*
Chamava-se Catarina
O Alentejo a viu nascer
Serranas viram-na em vida
Baleizão a viu morrer

Ceifeiras na manhã fria
Flores na campa lhe vão pôr
Ficou vermelha a campina
Do sangue que então brotou

Acalma o furor campina
Que o teu pranto não findou
Quem viu morrer Catarina
Não perdoa a quem matou

Aquela pomba tão branca
Todos a querem p’ra si
Ó Alentejo queimado
Ninguém se lembra de ti

Aquela andorinha negra
Bate as asas p’ra voar
Ó Alentejo esquecido
Inda um dia hás-de cantar
* Este poema foi musicado por José Afonso, no álbum «Cantigas de Maio», editado no Natal de 1971

SANTANA (Nisa): Prova de Resistência BTT


OPINIÃO: Montalvão sem Médico!

No fim da linha. Aqui, onde tudo termina. O país e a região. Montalvão, vila secular, com mais de 500 anos de história, situada no estremo do nordeste alentejano, ali entre o Sever e o Tejo, bordada por mil encantos, e abençoada com uma das mais belas paisagens deste interior esquecido, vivem (ou sobrevivem) cinco centenas de almas, na sua maioria idosos.
Nestes últimos anos, esta vila, tal como outras por esse interior fora, foram perdendo lentamente, a importância estratégico-militar que tivera outrora, com destaque para a posição geográfica dos seus castelos, de onde se avistava um vasto território inimigo, e que as tornavam em importantes praças vigilantes ao serviço da segurança do reino. Mas, como o inimigo passou a ser visto com outros “olhos”, o estado deixou de ver estas localidades como pontos essenciais da sua política territorial, abandonando-os à sua mercê.
Primeiro foi a emigração, que levou uma grande parte da mão-de-obra ativa para outras paragens, depois veio o encerramento da casa do povo, da escola primária e logo a seguir o fechou dos dois postos da guarda (GNR e Guarda Fiscal). Tudo aqui terminou. Restam os edifícios que serviram para albergar essas instituições e a memória dos que delas fizeram uso.
A população diminui, assustadoramente, levando consigo muitas atividades associativas, como o Rancho folclórico e a Banda de Música. Tudo aqui termina. Ficaram apenas as memórias daqueles que as poderem viver, sentir e amar!
Quando pensávamos que já não nos tirariam mais nada, pois então, como por arte mágica, deixamos de ter médico. Sem aviso prévio, para que a população não pudesse dizer nada, a um ato consumado.
Sim! O médico que vinha cá uma vez por semana, quando vinha, é certo, mas vinha, agora é nada. Quem quiser ir ao médico, que vá ao centro de saúde de Nisa (16 km) e alguns euros a mais, porque a extensão de Montalvão está esvaziada de funções. NÃO TEMOS MÉDICO!
A melhor solução até ao momento, para os casos de renovar as receitas dos medicamentos, faz-nos recuar muitos anos atrás, em que um administrativo vem recolher os pedidos dos utentes, para na semana seguinte vir a receita, assinada pelo médico. A burocracia cumpre o seu papel.
O concelho de Nisa que tinha ao seu serviço em 1999, uma equipa composta de 8 médicos e 15 enfermeiros em 10 extensões, a funcionar em pleno, agora tem 3 médicos e 12 enfermeiros, em 5 extensões a funcionar com limitações. Pergunto eu, o que aconteceu, entretanto? Para onde foram os médicos?
Pois se formos analisar os números, com maior detalhe, entre 1999 e 2011, constatamos que existem menos habitantes, e os que resistem, são mais velhos, portanto, necessitam de mais cuidados de saúde, como se pode conferir pelos números das consultas realizadas em 1999 e 2011:
Especialidades clinicas
Ano de 1999  
Número de consultas
Ano de 2011
Número de consultas
Medicina Familiar
29.855
29.070
Planeamento Familiar
664
317
Pediatria
1030
2026
Saúde Materna
129
167
Fonte : Pordata /INE 2014
Como se pode explicar que, sensivelmente, o mesmo número de consultas, possa ser executado por três médicos atuais, em vez dos oito de 1999. Algo vai mal, nestes números! Atualmente, cada médico tem, em média, a seu cargo 2483 pacientes, enquanto em 1999, tinham 1073 pacientes.
Precisamos de mais médicos, como é evidente! Um concelho tão grande, como Nisa, não pode e não deve ter ao seu serviço apenas 3 médicos, sejamos realistas.
Porque é que as autoridades locais não agem? A Junta de freguesia, concorda? E a Câmara Municipal e Assembleia Municipal?
Se for necessário lacem um abaixo-assinado, em prol da saúde desta gente, porque Montalvão precisa de “Mais saúde e melhor saúde”, não nos podemos resignar. Aqui, não pode acabar tudo, porque ainda existem pessoas e memórias. E fazem parte integrante de um país chamado Portugal!
E, sem pessoas e sem instituições, para que serve um território?

JOSE LEANDRO LOPES SEMEDO

quinta-feira, 15 de maio de 2014

Nisa Viva celebrou os 40 anos do 25 de Abril com colóquio




A Nisa Viva – Associação dos Naturais e Amigos do Município de Nisa promoveu no passado sábado, no salão da Sociedade Artística Nisense, um colóquio sob o tema “O 25 de Abril e a Revolução”
Perante uma assistência numerosa e interessada, abriu a sessão o presidente da Sociedade, José Ferreira, que agradeceu a presença dos participantes e enaltecer a importância desta iniciativa.
António Montalvo, presidente da Nisa Viva, apresentou os oradores, o coronel José Maria Belo e o major general Norberto Bernardes, relatando alguns episódios em que participou enquanto estudante, nomeadamente, as manifestações contra o envio de tropas para as colónias.
José Maria Belo leu um texto onde, em termos gerais, traçou o “antes e depois do 25 de Abril, uma “data histórica provocada por um golpe militar e a que adesão popular conferiu uma expressão revolucionária”.
Lembrou a falta das liberdades fundamentais e de direitos, principalmente por parte das mulheres e disse que o 25 de Abril tem que ser lembrado como um dia em que muitos militares corajosos se juntaram para derrubar um regime ditatorial.
Norberto Bernardes teve uma intervenção mais longa, explicando as origens do “Movimento dos Capitães” que fizeram o 25 de Abril.
Contou várias histórias do tempo da guerra colonial e do envolvimento dos operacionais que estavam na Guiné, falou das diversas tentativas para encontrar uma solução política para o problema colonial, diligências que nunca tiveram a devida a aceitação por parte do governo central.
A saída de uma lei que discriminava os oficiais milicianos face aos oficiais do quadro, acabou por se tornar no detonador e pretexto para juntar os militares que chegaram à conclusão de que só derrubando o regime se poderia resolver esse e outros problemas, principalmente o de acabar com a guerra colonial.
Cumprido esse desígnio, disse, os militares entregaram o poder aos políticos e regressaram aos quartéis.
Da parte da assistência houve algumas intervenções, todas elas reconhecendo o papel decisivo dos “Capitães de Abril” e lembrando as dificuldades do tempo presente, com a troika e a austeridade.
No final ficou uma nota de esperança em tempos melhores e pela recondução do país ao espírito de Abril, consubstanciado nos célebres três Dês: Democratizar, Descolonizar e Desenvolver.
Mário Mendes

domingo, 11 de maio de 2014

MÚSICA NO ALENTEJO: Bandas filarmónicas gravam CD

A FBFDP – Federação das Bandas Filarmónicas do Distrito de Portalegre gravou este fim de semana o seu IIIº CD. O último trabalho já foi há alguns anos e a Federação de Bandas e as suas filiadas entenderam ser o momento de voltar a desenvolver mais um trabalho de gravação e preservação da atualidade das bandas filarmónicas. A gravação decorreu no cineteatro de Gavião, gentilmente cedido pelo município gavionense nos dias 10 e 11 de maio de 2014. Gravaram as bandas de Campo Maior, Alter do Chão, Crato, Nisa, Castelo de Vide, Alpalhão, Póvoa e Meadas, Galveias e Gavião.
No próximo fim-de-semana, a 17 de maio, será a vez das duas orquestras filiadas apresentarem o seu trabalho em Ponte de Sor. A Orquestra Ligeira do Município de Ponte de Sor e a OLEMSA – Orquestra de Santo Amaro, entraram para a Federação há poucas semanas e irão também enriquecer o trabalho das bandas.
O CD, uma vez que engloba bandas de praticamente todos os municípios do norte alentejano irá ter um apoio da CIMAA, com quem a Federação de Bandas estabeleceu um protocolo no final de 2013. Para que este trabalho resulte em pleno, para além do empenho dos maestros, músicos e direções, as bandas contaram com o apoio das suas autarquias na cedência de transportes.
O CD foi gravado pela empresa Discotoni, de Pombal, e irá ser apresentado aquando do Festival de Bandas do Norte Alentejano, em Gavião, a 5 de julho de 2014.
11-5-14 FBFDP

terça-feira, 6 de maio de 2014

25 DE ABRIL: Associação 25 de Abril e União dos Sindicatos juntas nas comemorações dos 40 nos da "Revolução dos Cravos"

A União dos Sindicatos do Norte Alentejano e a Associação 25 de Abril – núcleo do Norte Alentejano assumem no distrito as comemorações do 40º aniversário da "Revolução dos cravos", tendo para o efeito reunido e  decidido levar as comemorações do 40º aniversário do 25 de Abril a diferentes concelhos do distrito e ao longo de todo o ano.
Para já, as direcções da Associação 25 de Abril – Núcleo do Norte Alentejano e da USNA/cgtp-in vão organizar um conjunto de conferências/debates visando as principais conquistas trazidas com a Revolução.
Para estas iniciativas irão ser chamadas a participar diversas personalidades civis e militares e decorrerão nas seguintes datas e locais:
1. Descolonização/Fim da Guerra Colonial - 30 de Maio, 21 horas em Castelo de Vide
2. Serviço Nacional de Saúde – Saúde para todos! -  6 de Junho, 21 horas em Elvas
3. A Escola Pública, inclusiva e de qualidade! - 20 de Junho, em Portalegre
4. A Liberdade Sindical, a Contratação Colectiva e os Direitos Sociais - 4 de Julho, em Portalegre
5. O Poder Local Democrático - 5 de Outubro, 21 horas em Ponte de Sôr
6. A Reforma Agrária – Uma Revolução na Revolução! - 7 de Novembro, em Campo Maior.
Com a organização deste ciclo de debates pretendem as organizações promotoras contribuírem para uma maior divulgação (em particular junto dos mais novos) das “Portas que Abril Abriu” !
O Depº de Informação da USNA/cgtp-in
A Direcção do Núcleo do NA da Associação 25 de Abril
Para quaisquer informações contactar: José Janela 969834682 - Diogo Serra 927820599 - Matos Serra 967526733.

segunda-feira, 5 de maio de 2014

"O Governo e o seu ministro da saúde desencadeiam o mais violento ataque para destruir o SNS!!!- denuncia a FNAM

COMUNICADO DA FNAM - FEDERAÇÃO NACIONAL DOS MÉDICOS
"O Governo e o seu Ministério da Saúde publicaram uma portaria (nº 82/2014) a 10/4/2014 que constitui o mais violento ataque ao SNS e ao direito constitucional à saúde, visando proceder ao integral desmantelamento de toda a rede hospitalar pública.
Nesse sentido, a FNAM considera urgente denunciar as seguintes questões fundamentais:
1- É inadmissível que um assunto desta enorme importância como é o estabelecimento de critérios para categorizar os serviços e estabelecimentos dos serviços de saúde seja remetido para uma mera portaria.
Esta medida só pode ser encarada como uma ação deliberada para fugir á discussão e até à negociação do seu conteúdo, dado que as portarias não estão obrigadas ao cumprimento dessas exigências legais gerais.
O secretismo da elaboração desta medida culminou com a sua publicação em portaria para criar a política do facto consumado.
Não é conhecido qualquer tipo de fundamentação para as medidas aí contidas, nem qualquer estudo dos impactos para as populações em termos assistenciais.
2- Os objetivos fundamentais desta portaria são o encerramento arbitrário de serviços hospitalares, alguns deles de elevadíssima qualidade assistencial e dotados de sofisticada tecnologia, colocar os vários sectores de profissionais de saúde em mobilidade forçada, despedimento de milhares de profissionais de saúde, diminuição acentuada da capacidade formação de novos profissionais, encerramento da maioria das maternidades do país, diminuição acentuada da capacidade de resposta global do SNS, criar condições incontornáveis para uma rápida expansão das entidades privadas, à custa dos subsistemas de saúde, e dar mais um passo, desta vez decisivo, para uma acelerada desertificação de vastas zonas do interior do país.
3- A portaria confere liberdade às entidades privadas das PPP de escolherem a carteira de especialidades que mais lhe convêm mediante os processos de negociação dos contratos de gestão e atribui à ACSS (Administração Central do Sistema de Saúde) do Ministério da Saúde o poder exclusivo e arbitrário de autorizar, sem estarem previamente definidos quaisquer parâmetros, a instalação de novos serviços hospitalares.
4- As especialidades médicas de endocrinologia e de estomatologia são eliminadas dos hospitais públicos, os hospitais pediátricos são eliminados, o mesmo acontecendo ao Instituto Oftalmológico Dr Gama Pinto (Lisboa) , que possui uma elevada diferenciação técnico-científica nessa área médica, e a dois importantes serviços de cirurgia cardiotorácica como o do Hospital de Gaia e do Hospital de Santa Cruz (Lisboa). Neste último caso, é curioso verificar que se trata de um hospital especializado na área do coração e que ao mesmo tempo que se estabelece a decisão de o liquidar são mantidos vultuosos contratos nesta área com o hospital privado da Cruz Vermelha Portuguesa, em Lisboa.
É indispensável lembrar a polémica já existente em torno das cirurgias cardiotorácicas na cidade de Lisboa, há cerca de 6 meses, com a divulgação de um relatório de uma comissão nomeada pelo Ministério da Saúde e que visava tão somente a justificação dos contratos com aquela entidade privada.
É agora mais do que evidente que o Ministério da Saúde está a preparar, de facto, o encerramento do Hospital de Santa Cruz, tal como já na altura alertámos em comunicado.
É, ainda, indispensável sublinhar que os Hospitais de Anadia, Cantanhede e Ovar desaparecem da relação dos hospitais públicos, o que significa que o Ministério da Saúde já tomou a decisão de os privatizar ou entregar às misericórdias das respetivas zonas.
5- De acordo com o conteúdo da portaria, grande parte das maternidades do nosso país vão ser encerradas.
Nos hospitais do chamado Grupo I deixa de existir a especialidade de obstetrícia, o que implica o encerramento das respetivas maternidades.
Assim, irão desaparecer até 31/12/2015 as maternidades nos seguintes estabelecimentos hospitalares:
- Unidade Local de Saúde Norte Alentejo (Portalegre); Unidade Local de Saúde Baixo Alentejo (Beja); Unidade Local de Saúde Litoral Alentejano (Santiago do Cacém); Centro Hospitalar Cova da Beira (Covilhã e Fundão); Centro Hospitalar de Leiria; Centro Hospitalar do Baixo Vouga (Aveiro, Águeda e Estarreja); Hospital da Figueira da Foz; Unidade Local de Saúde da Guarda; Unidade Local de Saúde de Castelo Branco; Centro Hospitalar Barreiro/Montijo; Centro Hospitalar de Setúbal; Centro Hospitalar do Oeste (Torres Vedras/Caldas da Rainha); Centro Hospitalar do Médio Tejo (Abrantes, Torres Novas e Tomar); Hospital de Santarém; Hospital Fernando da Fonseca (Amadora/Sintra); Centro Hospitalar do Alto Ave (Guimarães e Fafe); Centro Hospitalar do Médio Ave (Famalicão e Santo Tirso); Centro Hospitalar entre Douro e Vouga (Feira, Oliveira de Azeméis e S. João da Madeira); Centro Hospitalar Póvoa do Varzim/Vila do Conde; Centro Hospitalar Tâmega e Sousa ( Penafiel e Amarante); Hospital Santa Maria Maior (Barcelos); Unidade Local de Saúde de Matosinhos; Unidade Local de Saúde do Alto Minho (Viana do Castelo); Unidade Local de Saúde do Nordeste (Bragança, Mirandela e Macedo de Cavaleiros).
6- As várias declarações já emitidas pelo Ministério da Saúde e seus serviços centrais negando o encerramento de qualquer maternidade ou qualquer redução de serviços é uma atitude lamentável e revela uma chocante falta de seriedade política.
O conteúdo da portaria é claro e muito objetivo nas suas disposições gravosas.
Muitos milhares de cidadãos vão ficar impossibilitados de aceder aos serviços de saúde.
7- A gravidade desta portaria ministerial culmina o trabalho disfarçado do Ministério da Saúde em aplicar continuadamente cortes muito superiores aos exigidos pela Troika, colocando agora a nu uma política premeditada de destruição do SNS.
É tempo de parar definitivamente com esta ação de destruição social encetada pelo Governo que se comporta perante os cidadãos portugueses como se de uma força bélica de ocupação do nosso país se tratasse.
A FNAM apela a todos os médicos, em particular, e aos cidadãos, para se oporem a estas novas e brutais medidas.
Reafirma, também, o seu empenho em colaborar com todas as forças e entidades que defendem o SNS e o Estado Social.
É preciso dizer basta. E já !!!
Porto, 22/4/2014
A Comissão Executiva da FNAM

sábado, 3 de maio de 2014

NISA: Colóquio "O 25 de Abril e a Revolução"


VILA VELHA DE RÓDÃO – Feira dos Sabores do Tejo será uma montra da região

A Câmara Municipal de Vila Velha de Ródão está a repensar o conceito da “Feira das Atividades Económicas" e este nome, tal como é conhecido tem os dias contados. Apesar de manter as datas, a autarquia vai mudar o conceito. Este ano subordinado ao nome “Feira dos Sabores do Tejo”, o certame irá privilegiar o que é local e regional, anunciou Luís Pereira, presidente da câmara aquando das comemorações do 25 de Abril, naquele concelho. Com base na aprendizagem dos últimos anos, e “numa altura em que tudo é colocado em causa, temos que ser cada vez mais conscienciosos nas despesas e investimentos que fazemos”, justificou o autarca, acrescentando que o novo conceito será “mais incisivo na promoção da cultura, gastronomia e produtos locais, não só numa ótica de concelho, mas também de região. Queremos transformar esta feira numa montra da região”, atestou o edil rodense.

A autarquia será assim mais seletiva, concentrando-se “no que achamos ser estratégico para o concelho e para a região”, finalizou Luís Pereira.

NISA: Fase distrital do Concurso Nacional de Leitura

3 de maio, no Cine Teatro de Nisa
No próximo sábado, 3 de maio, vai decorrer no Cine Teatro de Nisa a Fase Distrital do Concurso Nacional de Leitura, organizada pela Câmara Municipal de Nisa / Biblioteca Municipal, em colaboração com o Agrupamento de Escolas de Nisa e a Sociedade Musical Nisense.
O Concurso Nacional de Leitura tem como objetivo a promoção da leitura nas escolas e tem este ano a sua 8ª edição. O Concurso é promovido, a nível nacional, pela Comissão Organizadora do Plano Nacional de Leitura em articulação com a RTP, a Direcção Geral do Livro, Arquivos e das Bibliotecas (DGLAB) e a Rede de Bibliotecas Escolares. No distrito de Portalegre, o concurso é organizado pela Câmara Municipal de Nisa através da Biblioteca Municipal com a colaboração do Agrupamento de Escolas e da Sociedade Musical Nisense e contando com o patrocínio da Livraria Bertrand, da Caixa Geral de Depósitos, do Intermarché Nisa, da Salchinisa e da Padaria Maria José Cartaxo.
Na fase distrital, serão selecionados os representantes do distrito de Portalegre na Fase Final do Concurso nacional de Leitura 20013/20014. Os participantes serão repartidos por duas categorias: alunos do 3º Ciclo do Ensino Básico ( 7º, 8º e 9º anos de escolaridade) e alunos do Ensino Secundário (10º, 11º e 12º anos). Numa primeira etapa, através de uma prova de respostas rápidas serão selecionados 5 concorrentes de cada categoria. Na Etapa 2–Ator Principal, cada concorrente escolherá um excerto das obras selecionadas para ler em voz alta durante 2 minutos, tendo a liberdade para encenar a leitura com recurso a adereços e podendo contar com a ajuda de um colega.
O júri da fase distrital é constituído por Isabel Vila Maior (Professora Aposentada da Escola Superior de Educação de Portalegre), por Alda Serras (Coordenadora Interconcelhia da Rede de Bibliotecas Escolares) e pela atriz Susana Vitorino.
As obras selecionadas para as provas são: - “Uma mão cheia de nada, outra de coisa nenhuma”, de Irene Lisboa e “A cidade dos deuses selvagens”, de Isabel Allende (para a categoria 3º Ciclo do Ensino Básico); - “A trança de Inês”, de Rosa Lobato Faria e “O retrato de Dorian Gray”, de Óscar Wilde (para a categoria Ensino Secundário)
Procura-se que o Concurso, para além de avaliar a leitura, seja um momento de festa, convívio e partilha. Assim, foi delineado um programa que tem início pelas 13 horas, com a receção dos concorrentes, seguindo-se uma cerimónia de boas vindas e a Etapa 1 do Concurso, às 15H30 haverá um espaço de animação com intervenções de animadores da Biblioteca Municipal de Nisa, da banda Not Yet e do grupo Jovens da Sociedade Musical Nisense. Às 16H30 decorrerá a Etapa 2 – Ator principal, seguindo-se a deliberação do júri, um lanche e o anúncio dos vencedores da fase distrital que irão participar na fase nacional do Concurso – 1 efetivo 2 dois suplementes para cada categoria.

quinta-feira, 1 de maio de 2014

OPINIÃO: Ainda um dia hás-de cantar!

O Alentejo, desde sempre vitima da organização territorial e política do estado-nação e da “inabilidade” para se posicionar face aos detentores do poder continua, quarenta anos depois da reconquista da democracia politica, em patamares de desenvolvimento que ilustram a descriminação de que é vítima.
No momento em que nos preparamos para iniciar mais um ciclo de utilização de fundos comunitários constatamos que continua a ser difícil o aproveitamento integral dos meios financeiros colocados à disposição do país.
Muitos dos obstáculos para conseguirmos transformar esses envelopes financeiros em instrumentos de mudança e de progresso continuam a existir apesar de há muito estarem sinalizados.
Acabados de aprovar um novo Plano de Acção Regional, o PAR Alentejo 2020, podemos constatar que muitas das barreiras identificadas continuam a condicionar a sua implementação e desde logo a teimosia do estado centralista em cumprir a Constituição da Republica, também, no que respeita à Regionalização e, no que a nós respeita, à criação da Região Alentejo.
Apesar de partir de um quadro que não questiona a subordinação dos fundos estruturais à Estratégia Europa 2020 e ao cumprimento do Pacto de Estabilidade e Crescimento e como isso vai retirar ainda mais capacidade para podermos, o país e a região, definir as politicas de acordo com as nossas necessidades e não com imposições exteriores, o Plano Regional – Alentejo 2020, foi aprovado por unanimidade pelo Conselho da Região e revestir-se-á de grande importância para o próximo futuro.
O Movimento Sindical de Classe que a CGTP-IN corporiza deixou bem claro nas diferentes fases de “construção”do Plano que recusa a subordinação do princípio da coesão social aos objectivos que visam a liberalização dos principais mercados de serviços e bens, com o acelerar do processo de privatização e a desregulamentação do mercado de trabalho.


Uma estratégia de desenvolvimento para o Alentejo só tem préstimo se servir para melhorar a vida de quem aqui vive e trabalha. Tem que ser este o seu objectivo principal.
No nosso caso a perda de postos de trabalho e de população foi de tal grandeza que os principais objectivos que qualquer estratégia de desenvolvimento tem que assumir deverão ser: a facilitação da criação de emprego de qualidade e o aumento dos níveis de vida e de bem-estar da população.
Desde logo medidas para a revalorização do trabalho e para uma industrialização que abranja todas as sub-regiões.
Persistir em centrar os apoios às empresas exportadoras e situadas em “ilhas” dentro do território será o continuar das apostas erradas ou insuficientes para as necessidades da região. O caminho passa pela aposta nos bens transaccionáveis na sua globalidade como consta aliás nos contributos que em nome da CGTP-IN/Alentejo, fiz chegar à Presidência da CCDRA.
“…A proposta centra os apoios às empresas no fomento das exportações, o que consideramos insuficiente para o desenvolvimento regional. Tem sido assim no INALENTEJO, como concluiu a avaliação intercalar do mesmo (pág. 6). Na nossa opinião o próximo período de programação tem que apostar nos bens e serviços transaccionáveis na sua globalidade e não apenas ou primordialmente nas exportações, com o objectivo de substituir importações. Com este objectivo os regulamentos dos apoios deveriam premiar os projectos que visam aumentar a produção para o mercado nacional…” [1]
Este aspecto é particularmente relevante nos bens alimentares uma vez que o país não garante a auto-suficiência em praticamente nenhum produto agrícola tendo a situação vindo a piorar desde a década de 90 do século passado.
A nossa elevada dependência alimentar, gritante nas leguminosas secas (produzimos apenas 8,5% das necessidades do país, mas com grande peso também nos cereais e no arroz (produzimos menos de 30% das necessidades do país) e nas raízes e tubérculos (56,7% das necessidades). Apesar de mais reduzida essa dependência assinala-se também nas carnes, nos frutos e no azeite.
A região poderia e deveria apostar nesses sectores contribuindo para satisfazer as necessidades do país e para criar emprego.


Para o Alentejo e as suas gentes os fundos estruturais e de investimento a serem disponibilizados até 2020 têm que ser (bem) utilizados para que possamos garantir: crescimento económico e criação de emprego de qualidade; aumento da produção regional em particular em sectores que contribua para substituir exportações e diminuir a nossa dependência; diminuição das assimetrias com o exterior e no interior da região; redução da pobreza e da exclusão social; reabilitação urbana e preservação do património cultural.
Sendo certo que nos debatemos com fortes constrangimentos ao desenvolvimento: o comportamento recessivo da demografia regional, a desvitalização social e económica de importantes aglomerados urbanos e dos territórios de baixa densidade, reduzido dinamismo do tecido empresarial, debilidades dos factores estruturantes da atracção de novos investimentos e desvantagens competitivas face a regiões concorrentes,  [2] a que acrescem os resultados do desinvestimento público a que grande parte da região foi votada durante décadas. Não é menos certo existirem potencialidades suficientes para que tais constrangimentos possam ser ultrapassados.
O Alentejo detém no seu vasto território recursos suficientes para atrair pessoas e investimentos mas tal não chega para construir o desenvolvimento sustentável que os/as Alentejanos/as reclamam e merecem.
Para atingir esse patamar é essencial uma estratégia de desenvolvimento que aposte na revitalização e modernização do sector produtivo, na revalorização do trabalho e na melhoria dos serviços públicos.
Diogo Serra in Revista Alentejo - Abril/2014