terça-feira, 13 de outubro de 2015

PROENÇA-A-NOVA: Tertúlias regressam esta quarta-feira com debate sobre perspetivas demográficas

Uma das características comuns à maioria das aldeias do concelho de Proença-a-Nova é que perderam um número significativo de habitantes nas últimas décadas, seja pelo fenómeno da emigração que levou proencenses para todo o mundo, seja por terem escolhido migrar para outros pontos do território nacional. Olhando para os números dos censos, em 1930 moravam no concelho 14.736 almas e em 2013 esse número desceu praticamente para metade, com 7.989 residentes registados.
Um recente estudo de investigadores da Universidade de Aveiro adianta que o interior do país (de Trás os Montes ao Alentejo) poderá perder um terço da sua população residente até 2040: na prática, o concelho de Proença-a-Nova será habitado por pouco mais de 2700 pessoas daqui a 25 anos. Eduardo Anselmo Castro, José Manuel Martins e Carlos Silva, que publicaram o livro “A Demografia e o País: Previsões Cristalinas sem Bola de Cristal”, baseiam os seus cálculos no atual índice de fecundidade e partindo do princípio de que não se registarão migrações significativas para o concelho.
De acordo com a investigação, realizada no âmbito do projeto “Demografia economicamente sustentável – Reverter o declínio em áreas periféricas” (DEMOSPIN), o caso mais preocupante engloba precisamente os concelhos de Oleiros, Proença-a-Nova, Sertã e Vila de Rei, concelhos que integram o Pinhal Interior Sul. As medidas para reverter estas previsões têm de ser tomadas no curto prazo tendo em conta que os resultados só serão visíveis nas próximas décadas. “Estas previsões têm dois sentidos: um é o de alerta aos decisores políticos, o outro é de constituírem um guia para a ação. O estudo não só diz que se a situação não for revertida a população vai encolher como diz quanto vai encolher”, explica o investigador Eduardo Anselmo Castro que considera que o despovoamento do interior não tem uma solução natural: “O problema tem de ser resolvido através de políticas fortes que decorram de decisões de investimento naquelas regiões. As autoestradas com portagens, o fecho de hospitais, de tribunais, de escolas e de outros tantos serviços” alimentam o ciclo vicioso do despovoamento. “Quanto mais se fecha menos gente há. Isto é um ciclo vicioso que é preciso romper”.

Nas conclusões do projeto DEMOSPIN foram identificadas três principais áreas de política pública que, regionalmente, podem ter um efeito sobre a atração de imigrantes: «em primeiro lugar, as políticas de dinamização da economia no sentido da criação de emprego têm um papel fundamental para políticas de inversão do declínio demográfico de uma região. Em segundo lugar, a disponibilização de amenidades pode também ter um papel fundamental numa política de combate ao abandono demográfico, havendo contudo alguns indícios de que estas políticas são particularmente eficazes para grupos etários velhos e portanto desempenham um papel menor no rejuvenescimento da pirâmide etária. Em terceiro lugar, a criação de regimes fiscais favoráveis pode também ser um fator de atração da população. (…) Na Europa medidas semelhantes foram também adotadas e estudos de caso indicam que, pelo menos a nível local, elas podem contribuir para atrair população para áreas mais remotas. Em muitos casos estas estratégias assentam no place marketing, na dinamização das economias regionais (e.g. turismo) ou no desenvolvimento das atividades agrárias. Outro tipo de medidas mais casuísticas, como o desenvolvimento dos serviços de apoio à criança ou o pagamento de um prémio a quem se fixe são também comuns. Não obstante, os resultados positivos deste tipo de medidas ainda não passam do anedótico e não foram desenvolvidas políticas demográficas compreensivas para reverter o declínio de regiões inteiras».
No dia 14 de outubro, os investigadores que fizeram o estudo participam na tertúlia que se realiza no bar do Hotel das Amoras, às 21h00, com o objetivo de se debater de forma informal e com o contributo de todos, possíveis soluções que revertam este cenário.
Fonte: CM Proença-a-Nova