terça-feira, 30 de junho de 2015

Mulheres de Nisa também dão sangue



Anormal movimento se fez sentir na zona do quartel dos Bombeiros de Nisa naquela manhã de sábado, anterior ao solstício de Verão. Por um lado as ambulâncias não pararam devido a doenças súbitas. Por outro ali teve lugar uma colheita promovida pela Associação de Dadores Benévolos de Sangue de Portalegre – ADBSP.
Tratou-se de uma acção que juntou 34 pessoas, 19 das quais mulheres (55,88%). E foram recolhidas 29 unidades de sangue: assim ditaram os exames de saúde efectuados aos potenciais doadores.
António Eustáquio, Presidente da Associação, mostrou-se bem impressionado pela dinâmica havida e saúda, de um modo particular, os voluntários do sexo feminino que estiveram em franca maioria. Assim se demonstra que doar sangue é tarefa de todo e qualquer ser humano.
Efectuou-se, num restaurante local, o almoço convívio, comparticipado pela Câmara Municipal de Nisa.
04 Julho em Montargil
Em termos das brigadas que se seguem, agendadas pela ADBSP, iremos estar em: Montargil (Ponte de Sor) no Centro de Saúde, a 04 de Julho; Castelo de Vide, no Centro de Saúde, a 11 de Julho; São Salvador da Aramenha (Marvão), no salão da Junta de Freguesia, a 18 de Julho.
Compareça num destes sábados de manhã. Estamos sempre desejosos da sua colaboração, ainda por cima agora que é Verão!
JR

quarta-feira, 17 de junho de 2015

NISA: Festival Jovem na Praça da República

Organizado pela Inijovem e União das Freguesias do Espírito Santo, Senhora da Graça e S. Simão, realiza-se neste fim de semana, dias 19, 20 e 21 de Junho, na Praça da República em Nisa, o Festival Jovem, iniciativa de grande animação, com bailes, concertos musicais, toprneio de matraquilhos humanos, aula de zumba, caminhada e um concurso do rafeiro do Alentejo.

O Festival Jovem tem o apoio da Câmara Municipal e da Associação de Criadores do Rafeiro do Alentejo.

segunda-feira, 8 de junho de 2015

Quercus alerta para a poluição no Rio Tejo

Situação é particularmente preocupante no troço entre Vila Velha de Ródão e Abrantes
A Quercus tem recebido, nas últimas semanas, várias denúncias de cidadãos, alertando para o facto de o rio Tejo estar com um caudal demasiado baixo para a época do ano e a água apresentar uma coloração acastanhada e com espuma à superfície, situação que tem sido recorrente no troço entre Vila Velha de Ródão e Abrantes. As denúncias recebidas davam também conta do aparecimento de peixes mortos junto à Barragem de Belver.
Em virtude destas denúncias, desde o dia 7 de Maio que a Quercus tem vindo a alertar as autoridades para poluição no Rio Tejo, nomeadamente a Agência Portuguesa do Ambiente (APA- ARHTejo) e o Serviço de Proteção da Natureza e do Ambiente da GNR (SEPNA - GNR). Segundo este último, em resposta à denúncia feita pela Quercus, foi apurado que a espuma que ao longo das últimas semanas tem sido visível no Rio Tejo, em particular junto ao açude de Abrantes e junto à Barragem de Belver, tem origem numa fonte de poluição localizada em Vila Velha de Rodão, junto à Ribeira do Açafal, afluente do Tejo.

Da ação de fiscalização feita pela GNR, em colaboração com os serviços da Proteção Civil de Abrantes e a Administração de Região Hidrográfica (ARH), resultaram um Auto de Notícia por Crime contra a Natureza, que foi remetido para o Tribunal Judicial da Comarca de Castelo Branco, e dois Autos de Notícia por Contra-Ordenação, por falta de licença para a rejeição de águas residuais.
A situação, que é recorrente, tem sido por diversas vezes denunciada pela Quercus. No entanto, desta vez, o caudal reduzido do Rio Tejo vem agravar ainda mais este problema de poluição, uma vez que a capacidade de autodepuração do rio se encontra comprometida.
O caudal reduzido que se verifica no Rio Tejo praticamente todos os anos na época de estiagem é uma prova de que a Convenção de Albufeira, da forma como atualmente se encontra implementada, não garante o bom estado ecológico das massas de água e é um obstáculo ao cumprimento da Diretiva Quadro da Água.

A Quercus vem assim uma vez mais alertar para a necessidade de renegociação da Convenção de Albufeira, no sentido de garantir caudais ecológicos com uma maior frequência, de modo a garantir o bom estado ecológico do Tejo ao longo de todo o ano, e em particular durante o período de estiagem.
A Quercus alerta ainda a Administração Pública para a necessidade do cumprimento cabal da legislação ambiental pelos vários utilizadores da água. O não cumprimento reiterado das normas ambientais, como tem sido a prática até aqui em Vila Velha de Ródão, não pode ficar impune ou passar apenas com uma coima.
Se não há capacidade para cumprir a legislação, os prevaricadores devem ter a sua licença de exploração revogada. O crime ambiental não pode compensar.
Lisboa, 8 de Junho de 2015
A Direção Nacional da Quercus - Associação Nacional de Conservação da Natureza

quarta-feira, 3 de junho de 2015

NISA: Festas populares em honra de Santo António

As festas populares em honra de Santo António realizam-se em Nisa, nos dias 12, 13 e 14 com um programa aliciante e onde não falta a música, as marchas e os petiscos regionais. Atente no programa:
Dia 12 – Sexta-feira
17h – Abertura do bar
21h – Abertura da quermesse
21,30h – Actuação das marchas populares do Agrupamento de Escolas de Nisa
22h – Baile com o organista Nuno José
0,30h – Espectáculo “Vozes das Marchas” com os fadistas Luís Capão e Teresa Tapadas acompanhados na guitarra portuguesa por António Sereno, Francisco Carvalho na viola de fado e Samuel Garção na viola baixo. Após o espectáculo o baile continua.
Dia 13 – Sábado
10h – Procissão solene desde a igreja do Espírito Santo até à ermida de Santo António onde será celebrada missa. A procissão será acompanhada pela banda de música da Sociedade Musical Nisense.
12h – Abertura do bar, disponibilizando a Comissão de Festas frango assado e sardinha assada.
21h – Abertura da quermesse
22h – Baile com o conjunto nisense “Dilema”
00h – Actuação do grupo musical “Clave”
Após a actuação, prossegue o bailarico
Dia 14 – Domingo
16h – Abertura do bar e quermesse
17,30h – baile com o rganista Nuno José
18h – Arruada com o grupo Bombos de Nisa
18,30h – Grande desfile e actuação das Marchas de Santo António, um espectáculo a não perder pela graciosidade e colorido dos trajes tradicionais de Nisa.

Após a actuação das marchas, continuação do baile.

terça-feira, 2 de junho de 2015

SANTANA (Nisa): II Festival Sabores do Rio

A Freguesia de Santana vai realizar a II edição do Festival Sabores do Rio para oferecer visibilidade turística do Concelho, mostrar a excelência gastronómica do Concelho de Nisa, mostrar a gastronomia da Freguesia de Santana e sua ligação ao Rio Tejo, promover os pratos de peixe do rio, incentivar a qualidade das vertentes gastronómicas assim como proporcionar aos visitantes bons momentos de convívio e lazer.

Homenagem a Michel Giacometti em Peroguarda

A Associação Conquistas da Revolução vai promover, a 21 de Junho em Peroguarda (Ferreira do Alentejo), um conjunto de iniciativas de homenagem a Michel Giacometti.
Michel Giacometti nasceu em Ajaccio, na Córsega, em 1929. Desde cedo tomou contacto com outros países e culturas, nomeadamente do Norte de África, para onde foi viver com o tio, funcionário colonial, e onde partilhou o seu mundo de infância com crianças espanholas e árabes.
Em 1947, com 18 anos, já em Paris, realizou estudos de música e arte dramática. Em 1950, lançou vários projectos de revistas culturais e de poesia: Igloo, Ferments e Griffonnage. Criou uma companhia de teatro popular e participou em três estágios de arte dramática, organizados pelo Ministère de l’Education. Publicou ainda uma pequena brochura de versos, Mélika.
Estudou na Sorbonne, no curso de Letras e Etnografia, curso que interrompeu devido à sua participação na greve contra a discriminação dos árabes na vida pública de Argel, período durante o qual viajou pelo norte da Europa, tendo participado em cursos livres de etnografia na Noruega. Colaborou nas revistas Simoun e Cahiers du Sud e foi correspondente da Mission Française en Nouvelle Guinée.
Em 1956, organizou a Mission Méditerranée 56, recomendada pelo Musée des Arts et Traditions Populaires, que se propunha investigar as tradições populares de todas as ilhas mediterrânicas. Por razões de saúde, foi forçado a abandonar o projecto, regressando a Paris onde esteve hospitalizado. Neste período, tomou contacto com a música tradicional portuguesa. A leitura da obra do compositor e musicólogo Kurt Schindler, Folk Music and Poetry of Spain and Portugal, despertou-lhe o interesse e sensibilizou-o para a urgência de salvar o “ouro puro” das canções encontradas em Trás-os-Montes.
Michel Giacometti chegou a Portugal em finais de 1959 e decidiu iniciar o levantamento sistemático da música regional portuguesa. Os primeiros trabalhos no terreno foram realizados em Trás-os-Montes e, verificando a permanência dos espécimes musicais recolhidos por Schindler em 1931, apresentou um projecto de investigação etnomusicológica no nordeste transmontano à recentemente criada Comissão de Etnomusicologia da Fundação Calouste Gulbenkian, que lhe recusou o apoio. Na sequência, Giacometti criou os Arquivos Sonoros Portugueses (ASP), em finais de 1960, e convidou o compositor Fernando Lopes-Graça a colaborar no projecto. Numa carta, datada de 13 de Dezembro de 1960, dirigida ao compositor, Giacometti comunica-lhe que acabou de “fundar os Arquivos Sonoros Portugueses e de se ligar por contrato a organismos culturais estrangeiros que mostraram mais entusiasmo que a Fundação …”.
Os Arquivos Sonoros Portugueses constituíram-se como um meio estratégico para desenvolver o plano de investigação, que previa a recolha, o estudo e a divulgação da música tradicional portuguesa. Entre 1960 e 1983, os ASP publicaram várias colecções discográficas, num total de 24 discos, sendo de destacar a colecção da Antologia de Música Regional Portuguesa, aconselhada pelo International Institute for Comparative Music Studies and Documentation e pelo International Music Council.
Em 1962, Michel Giacometti foi autor do filme O Alar da Rede realizado por Manuel Ruas, com produção da Rádio Televisão Portuguesa e, entre 1963 a 1983, produziu uma série de programas radiofónicos para a Emissora Nacional, Radio France, BRT, WDR, Sveriges Riskradio sobre a música tradicional portuguesa e as suas funções.
Deu, também, grande importância à salvaguarda da literatura oral, tendo iniciado em 1965 a sua recolha sistemática, a par e passo com a recolha musical. Entre 1972 e 1980, fez parte da equipa de investigadores da Faculdade de Letras de Lisboa, Instituto de Geografia, integrado no projecto Linha de Acção de Recolha e Estudo da Literatura Popular.
Foi autor do programa televisivo Povo que Canta, transmitido entre 1970 e 1973, com a realização de Alfredo Tropa e produção da RTP. Estes trinta e sete programas bimensais constituem ainda hoje um dos mais importantes documentários realizados no âmbito da etnomusicologia portuguesa, e só foram possíveis pelo imenso trabalho de investigação levado a cabo no terreno pelo próprio Michel Giacometti.
Em 1975, dirigiu o Plano de Trabalho e Cultura, Recuperar a cultura popular portuguesa, objectivo para estudantes do Serviço Cívico, com a colaboração dos professores Jorge Gaspar, Machado Guerreiro e Manuel Viegas Guerreiro. Integrado no Serviço Cívico Estudantil, este projecto contou com o apoio de entidades oficiais e particulares, como o Ministério da Comunicação Social, INATEL, FAOJ, Câmaras Municipais, Juntas Distritais e Fundação Calouste Gulbenkian. A colaboração voluntária de jovens universitários, intensificou a recolha de norte a sul do país, tendo resultado no levantamento de inúmeros documentos de literatura oral, inquéritos sobre as condições de vida, de saúde e higiene públicas, colheram-se fórmulas medicinais populares e cautelas supersticiosas, músicas, além da recolha de alfaias agrícolas.
Em 1975, enquanto membro da Comissão de reorganização da FNAT/Inatel, apresentou o projecto “Centro de Documentação Operário–Camponesa” (CDOC), que, além da reformulação da estrutura existente, propunha uma nova filosofia de acção cultural. Em associação com o Plano Trabalho e Cultura, todos os materiais resultantes das campanhas nacionais do Serviço Cívico Estudantil e toda a documentação produzida foram entregues ao CDOC e, mais tarde, transferidos para o Museu do Trabalho em Setúbal.
Em 1981, editou com Fernando Lopes-Graça e através do Círculo de Leitores o Cancioneiro Popular Português, importante colectânea de canções e músicas instrumentais, que procura mostrar a multiplicidade dos géneros e estruturas musicais, na diversidade das características regionais.
A década de oitenta ficou, ainda, marcada pela preocupação de Giacometti em encontrar uma instituição que acolhesse todo o seu acervo. Em 1981, vendeu a colecção de instrumentos musicais e de objectos etnográficos à Câmara Municipal de Cascais, que fundou o Museu da Música Portuguesa. Em 1984, vendeu o arquivo sonoro à Secretaria de Estado da Cultura, encontrando-se, hoje, todo este acervo sonoro no Museu Nacional de Etnologia, em Lisboa.
Durante todo este tempo, Giacometti manteve a investigação de campo, que continuou até ao fim da sua vida. Em Agosto de 1990, numa campanha em Peroguarda, o trabalho do etnomusicólogo foi acompanhado pelo jornalista Adelino Gomes, que fez a última reportagem sobre o seu trabalho. Giacometti dizia que a “primeira qualidade que um etnomusicólogo precisa de ter é o amor ao trabalho e o amor sincero ao povo”. É talvez a melhor síntese do perfil deste investigador, e que ajuda a entender a sua grande dedicação à defesa da cultura tradicional portuguesa. Fernando Lopes-Graça dedicou-lhe a obra “À memória de Michel Giacometti, por tudo o que o povo português e a sua bela música tradicional lhe ficaram devendo”.
O etnomusicólogo veio a falecer em Novembro desse mesmo ano, tendo sido enterrado em Peroguarda a seu pedido.