quarta-feira, 21 de outubro de 2015

NISA: Celebração do Respeito pela Pessoa Idosa

No próximo sábado, 24 de outubro, a Câmara Municipal de Nisa promove a celebração do Respeito pela Pessoa Idosa.
A iniciativa é dirigida às Instituições Particulares de Solidariedade Social (IPSS) do concelho de Nisa e ao grupo de participantes do ActivSénior, está integrada nas comemorações do Dia Internacional do Idoso e tem como objetivo permitir aos idosos um convívio salutar e reconhecer o seu papel na sociedade.

O programa da celebração terá lugar nas instalações das Oficinas Municipais na Zona Industrial de Nisa e tem início pelas 10H30, com a receção aos idosos por parte da Presidente da Câmara Municipal, segue-se a atuação do Grupo Coral EmCanto de Montalvão e animação pelas técnicas da Biblioteca Municipal de Nisa. Após o almoço, a celebração continua com baile abrilhantado por António Maria Charrinho, atuação do Coro Sénior de Nisa e continuação do baile.

segunda-feira, 5 de outubro de 2015

NISA: Exposição "Cinema Paraíso"


Morreu José Vilhena, o sátiro cartoonista da Gaiola Aberta

Escritor, cartoonista e pintor, José Vilhena foi o grande sátiro da condição portuguesa, em ditadura e em liberdade, sem poupar nos alvos e com gosto declarado pelo erotismo. Morreu este sábado, aos 88 anos.
Cartoonista, humorista, escritor e pintor. Quatro condições interligadas na vida e obra de um homem que, desde a década de 1950, se dedicou a satirizar, sem poupar ninguém, dos poderosos ao povo oprimido, a realidade política e social do país em que nasceu. Antes da Revolução de Abril viveu com a censura à perna de forma quase ininterrupta, ou não tivesse assinado quase seis dezenas de livros, todos censurados, todos vendidos ao seu público fiel por baixo da mesa nas tabacarias.
Onze dias depois do 25 de Abril de 1974, começou a fazer a sua cronologia da revolução em Gaiola Aberta, o seu título mais célebre. “One man show”, trabalhador verdadeiramente independente que se responsabilizava sozinho por todo o processo de elaboração e produção dos seus livros e revistas, José Vilhena, nome incontornável do humor português, na linha de um Bordalo Pinheiro, mas contemporâneo da libertação sexual das décadas de 1960-70 (e notava-se muito, ou não fosse o corpo feminino presença constante na sua obra), morreu este sábado, aos 88 anos, vítima de “doença prolongada”, como se lê no site O incorrigível e manhoso Vilhena (www.vilhena.me), gerido pelo seu sobrinho Luís Vilhena. Encontrava-se internado no Hospital São Francisco Xavier.
O título do site supracitado é uma referência directa a um dos muitos relatórios da comissão de censura do Estado Novo dedicados às suas publicações. Nele, emitido em 1965, lia-se: “O incorrigível e manhoso ‘Vilhena’ não quis deixar acabar este ano de 1965 sem lançar a público mais uma das suas produções deletérias que por artes ocultas circulam sempre a despeito das proibições que sobre elas incidem. Posto hoje à venda, segundo creio” – escreve o autor do relatório –, “não encontro neste livro uma única página que possa ser autorizável. Portanto, proponho a sua rigorosa proibição”.
De si próprio, Vilhena dizia ser “uma espécie de trapezista”: “A malta comprava os meus livros porque achava que no dia seguinte eu ia preso”. E foi, por três vezes, em 1962, 1964 e 1966. Muito a propósito, Rui Zink recorda ao PÚBLICO a definição de censura que ouviu a José Vilhena: “Censura é a técnica de separar o trigo do joio, a fim de publicar o joio” – “também se aplica aos jornais de hoje”, acrescenta.
Zink, que privou de perto com José Vilhena, descreve-o como “um diamante no meio de ovelhas murchas”, alguém que, seguindo a máxima de Groucho Marx, se recusava a pertencer a qualquer clube. “O Aquilino Ribeiro chegou a tentar levá-lo para um clube, para a Associação Portuguesa de Escritores, mas ele declinou timidamente dizendo que não era escritor”. A actividade diversificada de Vilhena, aponta Rui Zink, nasce, de resto, da inexistência de escritores populares de humor em Portugal. “Do que ele gostava era de desenhar, mas, dada essa circunstância, acabou por se tornar cartoonista, escritor, editor, distribuidor.”
Nascido a 7 de Julho de 1927 em Figueira de Castelo Rodrigo, José Vilhena frequentou a Escola de Belas-Artes do Porto, inserido no curso de arquitectura que não chegaria a concluir, culpa do trabalho que começara a fazer para o Diário de Lisboa, Cara Alegre e O Mundo Ri, que co-fundou na década de 1950.
Trabalhou o humor de diversas formas, recorrendo a escrita literária, à ilustração, ao cartoon ou à fotomontagem.
  
Esta última expressão criativa valeu mesmo a um inusitado protagonismo internacional, quando no início dos anos 1980 José Vilhena é alvo de um processo interposto por Carolina do Mónaco, na sequência de uma fotomontagem em que, parodiando o anúncio de uma marca de brandy, colocou a princesa “a aquecer o seu copo de uma maneira original”, recordava em 2003 ao Correio da Manhã.
Entre a sua bora, destacam-se, antes do 25 de Abril, obras como História da Pulhice Humana (1961), O Filho da Mãe (1970) ou Branca de Neve e os 700 Anões (1962), esta incluída na série Livros Proibidos editada com o PÚBLICO. É nesse período que José Vilhena mais brilha, considera Rui Zink. “Os retratos que fez daquele morno Portugal de Salazar são maravilhosos. Depois do 25 de Abril, as pessoas ganharam coragem e surgiram concorrentes mais jovens, mais adequados ao tempo, mais ágeis, mais à esquerda. Há sempre um sacana que gosta mais de liberdade do que nós quando já não há riscos a correr”, ironiza. Durante a ditadura, José Vilhena era “uma estrela solitária a fazer aquele tipo de humor e, mesmo as pessoas que não liam os livros dele conheciam as histórias dos seus livros”, recorda Zink. Segundo o escritor, “foi o grande humorista transversal de antes do 25 de Abril e teve a importância do Herman [José] e dos Gatos Fedorento juntos”.
Mário Lopes in "Público" - 03/10/2015

sábado, 3 de outubro de 2015

NISA: Exposição de pintura de Mário Guerra


NISA: Menhir do Patalou já pode ser visitado

Na noite de sábado, 26 de Setembro, ocorreu o ato público que assinalou formalmente o início de visitas ao Menhir do Patalou situado junto à estrada que liga Nisa à Barragem da Póvoa.
Na cerimónia realizada no local, a Presidente da Câmara Municipal de Nisa, Idalina Trindade, saudou os participantes e realçou a importância da iniciativa que visa a integração do menhir e de outros monumentos megalíticos do concelho - que irão igualmente ser estudados, reabilitados e sinalizados - num Roteiro Megalítico de Nisa. Sublinhou ainda que o desenvolvimento económico sustentável e integrado está diretamente associado à valorização do património cultural.
Seguiu-se uma conferência sobre Megalitismo pelo Professor Jorge Oliveira que coordenou a equipa de Arqueologia da Universidade de Évora que participou nos estudos e na reabilitação do menhir no âmbito dum protocolo estabelecido com a Câmara Municipal de Nisa. A cerimónia integrou um concerto pela Banda da Sociedade Musical Nisense.
O Menhir do Patalou é um dos mais volumosos menhires da Península Ibérica e encontrava-se tombado, praticamente intacto, no sítio original. O menhir, após ter sido encontrado há cerca de 20 anos, foi agora erguido, na sequência de  trabalhos arqueológicos, iniciados em julho deste ano, promovidos pela Câmara Municipal de Nisa e pelo Laboratório de Arqueologia da Universidade de Évora.  A recolha de carvões nas terras da  base do menhir e a datação por radiocarbono informam que este monumento foi erguido em meados do 5º milénio antes de Cristo. Com um comprimento de 4 metros e um peso a rondar as 7 toneladas foi talhado, transportado e ereto pelas primeiras comunidades neolíticas no contexto de ancestrais práticas religiosas de fecundidade, fertilidade e cultos astrais.
Para marcar a abertura ao público, foi escolhida a noite de sábado. Uma data especial, já que na quarta feira anterior ocorrera o Equinócio de Outono e na madrugada de segunda feira ocorreu um eclipse total de Lua Cheia. Os homens pré-históricos seriam sensíveis a estes fenómenos e assim, simbolicamente, procurou-se reviver um pouco a forma de sentir da gente que há muitos milhares de anos por aqui passou.