sábado, 26 de março de 2016

POESIA POPULAR DO ALENTEJO

A Caçada do Malhadeiro
Uma caçada invulgar
Ocorreu na nossa terra
Pôs muita gente a pensar
Fez assustar toda a serra
I
Napoleão Bonaparte
Homem de grande ambição
Ocupa a nossa Nação
Põe soldados em toda a parte
Foi mais outro disparate
Que a história há-de contar
É sempre bom recordar
Um homem que não cedeu
Dessa vontade nasceu
Uma caçada invulgar
II
Oito soldados franceses
Cheios de sede e de fome
Só a saudade os consome
Nestes ermos portugueses
Foram vistos muitas vezes
Vitimados pela guerra
Entre as estevas da Serra
Desde a Crespa até à Neta
A caçada mais funesta
O correu na nossa terra
 III
No entretanto, os soldados
Viram um “Monte” branquinho          
Meteram-se pelo caminho
Um pouco mais animados
Uma vez ali chegados
Logo quiseram entrar
Ninguém queria acreditar
Ao ver tanta comida
Essa cena foi sentida
Pôs muita gente a pensar
IV
Nesse lar hospitaleiro
Comeram e até cantaram
Seguidamente abusaram
Das filhas do Malhadeiro
Mas o pai homem certeiro
Um caçador que não erra
Deu início à sua guerra
Disparando oito vezes
Matou os oito franceses
Fez assustar toda a serra
Sátiro Cuiça