domingo, 1 de janeiro de 2017

Quercus exige a intervenção imediata do governo português junto de Bruxelas

Governo Espanhol deu parecer favorável à construção de um armazenamento individualizado de resíduos nucleares na Central Nuclear de Almaraz
O Governo Espanhol, através do Boletim Oficial do Estado (BOE), divulgado na quarta-feira, deu parecer favorável ao projeto apresentado pelo consórcio Iberdrola, Endesa Generación e Gas Natural, que explora a Central Nuclear de Almaraz, para executar e montar um armazenamento individualizado (ATI) de resíduos nucleares junto a esta Central, localizada na Extremadura Espanhola, junto à fronteira com Portugal.
Para a Quercus este é um perigoso sinal de que existem fortes movimentações em Espanha para que a Central não encerre no prazo definido, sendo fundamental que o Governo Português atue com celeridade e mais firmeza, no sentido de serem acautelados os interesses nacionais, e recorra com urgência às entidades europeias, uma vez que a avaliação de impactes transfronteiriça do projeto não foi realizada.
A Quercus considera que esta decisão tomada pelo Governo espanhol é inadmissível, uma vez que abre a porta a um novo prolongamento do prazo de vida da Central Nuclear de Almaraz, que já deveria ter encerrado em 2010. Com efeito, esta Central, que está já a funcionar desde o início dos anos 80, acabou por não encerrar na data prevista – Junho de 2010 - devido ao facto de o Governo Espanhol ter, contrariamente às anteriores intenções, prolongado o prazo de funcionamento da Central por mais 10 anos, até Junho de 2020.
Para além dos problemas mais recentes noticiados com a Central Nuclear de Almaraz, de que são exemplo a existência de peças defeituosas nos seus geradores de vapor, as duas avarias nos motores das bombas de água e a falta de garantia que o sistema de arrefecimento da Central possa funcionar normalmente, é importante recordar que a Central de Almaraz tem tido outros incidentes com regularidade, existindo situações em que já foram medidos níveis de radioatividade superiores ao permitido.
Portugal pode vir a ser afetado, caso ocorra um acidente grave, quer por contaminação das águas, uma vez que a central se situa numa albufeira afluente do rio Tejo, quer por contaminação atmosférica, pela grande proximidade geográfica existente. Para além disto, Portugal não revela estar minimamente preparado para lidar com um cenário deste tipo, pelo que a acontecer um acidente grave, isso traria certamente sérios impactes imediatos para toda a zona fronteiriça, em especial para os distritos de Castelo Branco e Portalegre.
Uma vez mais, a Quercus junta-se a diversas associações ecologistas e movimentos espanhóis e portugueses que lutam pelo encerramento desta central nuclear, que fica situada junto ao rio Tejo, na província de Cáceres, a cerca de 100 km da fronteira com Portugal, e exige que o Governo Espanhol cumpra com as suas promessas de abandono gradual da energia nuclear e tome a decisão de encerrar imediatamente esta Central.
A Quercus espera igualmente que o projeto de resolução sobre este assunto, aprovado por unanimidade na Assembleia da República Portuguesa e a enorme jornada de mobilização ibérica que decorreu a 11 de Junho em Cáceres, leve de uma vez por todas a que o Governo Português abandone a passividade e a inação e tome a iniciativa de, junto das autoridades espanholas e europeias, solicitar esclarecimentos sobre esta situação, exigindo a anulação da decisão tomada e o encerramento imediato da Central Nuclear de Almaraz.
Lisboa, 29 de Dezembro de 2016
A Direção Nacional da Quercus – Associação Nacional de Conservação da Natureza
As Direções dos Núcleo Regionais de Portalegre e de Castelo Branco da  Quercus – Associação Nacional de Conservação da Natureza