domingo, 5 de março de 2017

Centenas de pessoas manifestaram-se ontem no cais fluvial de Vila Velha de Ródão contra a poluição do rio Tejo e seus afluentes.








“É necessário que o Ministério do Ambiente e a Agência Portuguesa do Ambiente tenham mão firme [sobre os poluidores] porque o diagnóstico está feito”, disse Samuel Infante, da Quercus, associação ambientalista que integra o movimento proTEJO, que organizou esta manifestação e estimou que 500 pessoas tenham hoje aderido ao protesto, o segundo já convocado por causa desta questão.
O ambientalista sublinhou que continuam a registar-se descargas poluidoras diariamente, situação que diz não poder continuar.
“É possível um desenvolvimento sustentado desde que quem atribui as licenças tenha vontade política de cumprir a lei”, frisou.
Os manifestantes, que se concentraram no cais fluvial de Vila Velha de Ródão, no distrito de Castelo Branco, iniciaram depois uma marcha que culminou com a leitura de um manifesto em frente aos portões da empresa Celtejo, fábrica de pasta de papel da Altri.
À Lusa, Carla Graça, da associação ambientalista Zero, realçou a “incapacidade” das autoridades competentes para resolver a situação da poluição no rio.
“Há uma incapacidade das autoridades competentes para solucionar o problema. Têm de ser os cidadãos a exigir que se resolva este problema. Isto é inadmissível num Estado de direito”, sustentou.
Entre os manifestantes estão autarcas de Vila Nova da Barquinha, Mação, Entroncamento, Abrantes, Alferrarede, Gavião, Ortiga, Arripiado, Azambuja, Praia do Ribatejo, Cartaxo, Nisa e Tancos, entre outros.
Arlindo Marques, do proTEJO, destacou ao mediotejo.net a “forte mobilização popular”, lembrando os vários autocarros disponibilizados por alguns municípios ribeirinhos (de Ortiga/Mação e Entroncamento, por exemplo, vieram 2 autocarros), tendo feito notar que “o que se está a fazer ao rio é um crime brutal. Esta manifestação é de todas as pessoas que querem dizer às empresas prevaricadoras que assim não pode continuar”, frisou.
A aldeia de Ortiga, freguesia ribeirinha do concelho de Mação, esteve em peso na manifestação, com cartazes e palavras de ordem contra a poluição. João Carvalho embarcou na excursão para “vir dizer às empresas que o Tejo não é delas. O rio é do povo, e na Ortiga já não apanhamos peixe por causa da água contaminada, um rio onde tomávamos banho e até a água se bebia”. João Filipe, membro da Assembleia Municipal de Mação e um estudioso e defensor da história e das tradições ribeirinhas de Ortiga, disse ao mediotejo.net que, “se o rio morrer, vai ser muito difícil esta nossa geração conseguir justificar o porquê de um rio sem vida”, aos vindouros.
Também António Louro, vice presidente da Câmara de Mação, um dos muitos autarcas presentes, destacou a pertinência da iniciativa tendo referido que a presença institucional da autarquia de Mação é uma forma de “manifestar solidariedade com a comunidade riberinha e com todos aqueles que defendem que o Tejo tem de estar despoluído. Os processos para resolver o problema são muito lentos e estamos aqui para pressionar a uma maior celeridade da resolução desta questão”, frisou.
Bruno Tomás, presidente da União de Freguesias de Abrantes, Alferrarede, São João e São Vicente, destacou os problemas da quantidade e da qualidade das águas do rio Tejo, “a primeira, a pouca quantidade, ligada aos transvazes em Espanha, e depois com os seus reflexos na qualidade, com níveis de poluição cada vez mais evidentes”. Segundo o autarca, o problema “só se resolve com a boa vontade de todos os agentes envolvidos, que deviam sentar-se à mesa, calendarizar a resolução do problema e informarem as populações do se está a passar e do que vai suceder”, defendeu.
Fernando Freire, presidente da Câmara de Vila Nova da Barquinha, e Jorge Faria, presidente da Câmara do Entroncamento, também marcaram presença em Vila Velha de Rodão, numa “manifestação cívica e solidária pelo Tejo e pelo ambiente, na defesa pela preservação das massas de água e ecosistemas”, disse o primeiro. Jorge Faria, por sua vez, disse ao mediotejo.net estar presente “pelo Tejo, e para dar um contributo em prol das ações necessárias para que possa haver emprego e criação de riqueza mas também a preservação do património ambiental”.
Paulo Constantino, porta-voz do movimento proTEJO, disse que a manifestação foi convocada para Vila Velha de Ródão por ser “a zona onde se tem verificado maiores níveis de descargas poluentes, estando ali identificadas as empresas poluidoras na região com descargas em níveis acima do permitido e que vêm agravar o estado do rio Tejo para jusante, em todos os municípios até Santarém”, num troço de cerca de 150 quilómetros.
O representante disse que se trata de um protesto pacífico contra os níveis de poluição no rio Tejo, com participantes oriundos de vários pontos da região Centro. Também aderiram associações ambientalistas espanholas.
Segundo o movimento, “as águas do rio Tejo estão negras, cheias de mantos de espuma branca e que consubstanciam casos de poluição extrema, devidamente fotografados e filmados por membros do proTEJO e cidadãos preocupados”.
Por isso, as associações ambientalistas exigem que o Governo tome medidas imediatas em relação às licenças de emissões poluentes das fábricas.
in www.mediotejo.net e lusa