sábado, 6 de outubro de 2018

ABRANTES: Seminário para a Recuperação do Rio Tejo e seus Afluentes

Caros cidadãos e populações ribeirinhas da bacia do Tejo,
A água é um bem renovável, mas limitado!
Apesar da quantidade de água doce existente permanecer quase inalterada, o aumento da utilização decorrente do crescimento demográfico e da melhoria do nível de vida, a que se associaram a expansão urbanística, a industrialização, a agricultura e a pecuária intensivas e a produção de energia elétrica, levaram ao aumento das pressões sobre os recursos hídricos ao nível da degradação da qualidade e da escassez de água.
A mobilidade da água doce dentro do ciclo hidrológico faz com que esta se distribua irregularmente no espaço e no tempo, ou seja, nem sempre existe a mesma quantidade de água disponível no mesmo lugar. Em Portugal este facto é agravado, uma vez que é um país onde ocorrem importantes desigualdades na disponibilidade de água.
A desigualdade na distribuição da água resulta frequentemente em conflitos internacionais pelo domínio das reservas de água potável, sendo cada vez mais relevante a existência de acordos de cooperação internacional em bacias hidrográficas partilhadas.
Esta incerteza quanto à disponibilidade de água e os conflitos associados têm impactos sobre o crescimento económico uma vez que este recurso natural está presente em múltiplas atividades.
Acresce que a disponibilidade de água não pode ser aferida apenas em termos de necessidades humanas, visto que é uma necessidade vital para todos os seres vivos e ecossistemas que os sustentam, e consequentemente para o ser humano, através dos serviços prestados pelos ecossistemas.
Tendo em conta a crescente severidade das alterações climáticas e secas periódicas que ocorrem na região Mediterrânica, com o consequente aumento da escassez de água, conclui-se que a necessidade de satisfazer esta exigência ecológica implica uma gestão eficaz dos usos para utilização humana e coloca um dilema futuro –a necessidade humana por água apropria-se de recursos hídricos essenciais para satisfazer a necessidade ecológica? E caso se aproprie, quais serão os custos a longo prazo?
As crescentes necessidades de água, a limitação dos recursos hídricos e os conflitos entre usos exigem que o planeamento e a gestão da utilização e do domínio da água se façam em termos racionais e otimizados, tornando-se imprescindível a consciencialização para os problemas da água, de políticos, técnicos e da população em geral.
Assim, o proTEJO – Movimento pelo Tejo, o Município de Abrantes e a Comunidade Intermunicipal do Médio Tejo vêm convidá-lo a participar no evento “TEJO VIVO – SEMINÁRIO PARA A RECUPERAÇÃO DO RIO TEJO E SEUS AFLUENTES” onde se pretende equacionar a problemática da disponibilidade, acessibilidade e escassez de água na bacia hidrográfica do Tejo que, sendo uma bacia internacional partilhada, envolve a existência de esforços de cooperação internacional no âmbito da Convenção Luso-Espanhola de Albufeira e que, abrangendo uma área geográfica particularmente sujeita a alterações climáticas e a secas periódicas cada vez mais severas, exige a procura de soluções que sejam capazes de conciliar a disponibilidade de água e a satisfação das necessidades humanas e ecológicas.