Caros cidadãos e populações ribeirinhas da bacia do Tejo,
A água é um bem renovável, mas limitado!
Apesar da quantidade de água doce existente permanecer quase
inalterada, o aumento da utilização decorrente do crescimento demográfico e da
melhoria do nível de vida, a que se associaram a expansão urbanística, a
industrialização, a agricultura e a pecuária intensivas e a produção de energia
elétrica, levaram ao aumento das pressões sobre os recursos hídricos ao nível
da degradação da qualidade e da escassez de água.
A mobilidade da água doce dentro do ciclo hidrológico faz
com que esta se distribua irregularmente no espaço e no tempo, ou seja, nem
sempre existe a mesma quantidade de água disponível no mesmo lugar. Em Portugal
este facto é agravado, uma vez que é um país onde ocorrem importantes
desigualdades na disponibilidade de água.
A desigualdade na distribuição da água resulta
frequentemente em conflitos internacionais pelo domínio das reservas de água
potável, sendo cada vez mais relevante a existência de acordos de cooperação
internacional em bacias hidrográficas partilhadas.
Esta incerteza quanto à disponibilidade de água e os
conflitos associados têm impactos sobre o crescimento económico uma vez que
este recurso natural está presente em múltiplas atividades.
Acresce que a disponibilidade de água não pode ser aferida
apenas em termos de necessidades humanas, visto que é uma necessidade vital
para todos os seres vivos e ecossistemas que os sustentam, e consequentemente
para o ser humano, através dos serviços prestados pelos ecossistemas.
Tendo em conta a crescente severidade das alterações
climáticas e secas periódicas que ocorrem na região Mediterrânica, com o
consequente aumento da escassez de água, conclui-se que a necessidade de
satisfazer esta exigência ecológica implica uma gestão eficaz dos usos para
utilização humana e coloca um dilema futuro –a necessidade humana por água
apropria-se de recursos hídricos essenciais para satisfazer a necessidade
ecológica? E caso se aproprie, quais serão os custos a longo prazo?
As crescentes necessidades de água, a limitação dos recursos
hídricos e os conflitos entre usos exigem que o planeamento e a gestão da
utilização e do domínio da água se façam em termos racionais e otimizados,
tornando-se imprescindível a consciencialização para os problemas da água, de
políticos, técnicos e da população em geral.
Assim, o proTEJO – Movimento pelo Tejo, o Município de
Abrantes e a Comunidade Intermunicipal do Médio Tejo vêm convidá-lo a
participar no evento “TEJO VIVO – SEMINÁRIO PARA A RECUPERAÇÃO DO RIO TEJO E
SEUS AFLUENTES” onde se pretende equacionar a problemática da disponibilidade,
acessibilidade e escassez de água na bacia hidrográfica do Tejo que, sendo uma
bacia internacional partilhada, envolve a existência de esforços de cooperação
internacional no âmbito da Convenção Luso-Espanhola de Albufeira e que,
abrangendo uma área geográfica particularmente sujeita a alterações climáticas
e a secas periódicas cada vez mais severas, exige a procura de soluções que
sejam capazes de conciliar a disponibilidade de água e a satisfação das
necessidades humanas e ecológicas.

