O concerto de homenagem ao cante
alentejano encheu o grande auditório do Centro Cultural de Belém (CCB), em
Lisboa, onde actuaram 12 grupos corais, uma pianista e foi exibido um filme.
Cinco minutos passavam das 18:00
quando Aníbal e Maria Cavaco Silva entraram no camarote e no palco um grupo
coral alentejano cantou o Hino Nacional, acompanhado pelos espectadores que
prontamente se levantaram.
Depois do Fado ter sido
reconhecido pela UNESCO, foi a vez do Cante Alentejano também merecer essa
distinção.
Para assinalar essa efeméride,
realizou-se um concerto com 12 grupos corais alentejanos, uma pianista e uma
cantora lírica.
O grupo mais aplaudido foi o Grupo
Coral Etnográfico Amigos do Feijó. Mas foi a letra "Zuca Zuca", que
leva interpretações 'malandrecas' que fez o público rir durante a actuação do
Grupo Coral Etnográfico as Papoilas do Corvo, Castro Verde.
A destacar o Grupo Coral do
Sindicato da Industria Mineira, de Aljustrel, que se apresentou com uma
indumentária de mineiro e com a luz do capacete acesa. Sem esquecer a letra do
tema interpretado pelo Grupo Coral do Baleizão que retrata o Alentejo actual:
"Alentejo tinha imensos trigais/ Agora só tem vinhas e olivais".
O apresentador referiu que
"ouvir o cante é passear pelo Alentejo", assim como "a revolta e
a esperança", que "sublinha as regras do quotidiano". Sublinhou
que "foi um sonho que se tornou realidade, numa terra de pessoas de
trabalho e de cante". "Afinal o Património Imaterial da UNESCO foi o
mote para nos reunirmos hoje aqui", frisou. Terminou a sua apresentação com
"será altura para dizer 'Até sempre Alentejo'".
Das cerca de 1400 pessoas,
estiveram presentes Anibal e Maria Cavaco Silva, Assunção Cristas - Ministra da
Agricultura, Jorge Barreto Xavier - Secretário de Estado da Cultura, Joaquim de
Sousa Ribeiro - Presidente do Tribunal Constitucional, Nuno Vassalo e Silva -
Director Geral do Património Cultural, Catarina Vaz Pinto - Vereadora da
Cultura da Câmara Municiapl de Lisboa e muitos outros autarcas.
Em declarações exclusivas ao
Jornal Hardmusica, o Secretário de Estado da Cultura disse que o Cante
"demonstra a diversidade e a riqueza da identidade colectiva das diversas
comunidades portuguesas e no contexto especifico do Alentejo". Também
"conseguimos perceber que estes cantes colectivos, neste caso o Cante
Alentejano que não tem um autor definido são propriedade da comunidade tem as
características de riqueza suficiente para património da humanidade".
Barreto Xavier frisou que se trata de "um reconhecimento que nos orgulha a
todos e que veio ajudar a actualizar um certo tipo de actividade no Alentejo e
que espero possa ter grande continuidade".
Depois do Fado ter sido consagrado
pela UNESCO, tornou-se uma moda. Será que vai acontecer o mesmo com o Cante?.
Para o governante "as modas têm coisas boas e coisas más, é bom que o
trabalho do cante permaneça, que na historia do cante permaneça",
salientando que "há certamente coisas novas que vão acontecer e esperemos
que o aumento de participantes nos grupos corais e de divulgação aconteça tanto
em Portugal como no estrangeiro".
Também em exclusivo para o Jornal
Hardmusica, o Director Geral do Património Cultural, referiu que "foi uma
candidatura exemplar dirigida pelo Paulo Lima com o apoio do Turismo do
Alentejo, com o apoio das câmaras e depois também da UNESCO". Nuno Vassalo
e Silva sublinhou que a candidatura "teve uma capacidade de alinhamento de
todos os agentes" e que o "reconhecimento pela UNESCO é um reforço
para a importância da cultura material".
Catarina Vaz Pinto disse em
exclusivo ao Jornal Hardmusica que o Cante "tem traços de identidade muito
fortes e foi um projecto, tal como o do Fado, muitíssimo bem preparado do ponto
de vista cientifico e artístico". A vereadora da Cultura de Lisboa
sublinhou que o resultado foi "bem visível neste concerto que acabámos de
ver" e "portanto acho que foi muito merecido este prémio e fico muito
comovida, como portuguesa e como lisboeta também". As candidaturas do
Cante e do Fado são "muito interessantes e que foram muito bem preparados,
há imensas consequências desse reconhecimento que estão à vista de todos os
portugueses".
O primeiro grupo coral terá
surgido em 1907, em Serpa, sob a designação de Orfeão Popular.
O concerto foi produzido pelo CCB
e a Câmara Municipal de Serpa/Casa do Cante, com o apoio da Entidade Regional
de Turismo do Alentejo e Ribatejo, e da Comissão Nacional da UNESCO -
Ministério dos Negócios Estrangeiros.
in "Hardmúsica"




