Poesia Alentejana

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terça-feira, 27 de janeiro de 2015

Cante Alentejano encheu o Centro Cultural de Belém





O concerto de homenagem ao cante alentejano encheu o grande auditório do Centro Cultural de Belém (CCB), em Lisboa, onde actuaram 12 grupos corais, uma pianista e foi exibido um filme.
Cinco minutos passavam das 18:00 quando Aníbal e Maria Cavaco Silva entraram no camarote e no palco um grupo coral alentejano cantou o Hino Nacional, acompanhado pelos espectadores que prontamente se levantaram.
Depois do Fado ter sido reconhecido pela UNESCO, foi a vez do Cante Alentejano também merecer essa distinção.
Para assinalar essa efeméride, realizou-se um concerto com 12 grupos corais alentejanos, uma pianista e uma cantora lírica.
O grupo mais aplaudido foi o Grupo Coral Etnográfico Amigos do Feijó. Mas foi a letra "Zuca Zuca", que leva interpretações 'malandrecas' que fez o público rir durante a actuação do Grupo Coral Etnográfico as Papoilas do Corvo, Castro Verde.
A destacar o Grupo Coral do Sindicato da Industria Mineira, de Aljustrel, que se apresentou com uma indumentária de mineiro e com a luz do capacete acesa. Sem esquecer a letra do tema interpretado pelo Grupo Coral do Baleizão que retrata o Alentejo actual: "Alentejo tinha imensos trigais/ Agora só tem vinhas e olivais".
O apresentador referiu que "ouvir o cante é passear pelo Alentejo", assim como "a revolta e a esperança", que "sublinha as regras do quotidiano". Sublinhou que "foi um sonho que se tornou realidade, numa terra de pessoas de trabalho e de cante". "Afinal o Património Imaterial da UNESCO foi o mote para nos reunirmos hoje aqui", frisou. Terminou a sua apresentação com "será altura para dizer 'Até sempre Alentejo'".
Das cerca de 1400 pessoas, estiveram presentes Anibal e Maria Cavaco Silva, Assunção Cristas - Ministra da Agricultura, Jorge Barreto Xavier - Secretário de Estado da Cultura, Joaquim de Sousa Ribeiro - Presidente do Tribunal Constitucional, Nuno Vassalo e Silva - Director Geral do Património Cultural, Catarina Vaz Pinto - Vereadora da Cultura da Câmara Municiapl de Lisboa e muitos outros autarcas.
Em declarações exclusivas ao Jornal Hardmusica, o Secretário de Estado da Cultura disse que o Cante "demonstra a diversidade e a riqueza da identidade colectiva das diversas comunidades portuguesas e no contexto especifico do Alentejo". Também "conseguimos perceber que estes cantes colectivos, neste caso o Cante Alentejano que não tem um autor definido são propriedade da comunidade tem as características de riqueza suficiente para património da humanidade". Barreto Xavier frisou que se trata de "um reconhecimento que nos orgulha a todos e que veio ajudar a actualizar um certo tipo de actividade no Alentejo e que espero possa ter grande continuidade".
Depois do Fado ter sido consagrado pela UNESCO, tornou-se uma moda. Será que vai acontecer o mesmo com o Cante?. Para o governante "as modas têm coisas boas e coisas más, é bom que o trabalho do cante permaneça, que na historia do cante permaneça", salientando que "há certamente coisas novas que vão acontecer e esperemos que o aumento de participantes nos grupos corais e de divulgação aconteça tanto em Portugal como no estrangeiro".
Também em exclusivo para o Jornal Hardmusica, o Director Geral do Património Cultural, referiu que "foi uma candidatura exemplar dirigida pelo Paulo Lima com o apoio do Turismo do Alentejo, com o apoio das câmaras e depois também da UNESCO". Nuno Vassalo e Silva sublinhou que a candidatura "teve uma capacidade de alinhamento de todos os agentes" e que o "reconhecimento pela UNESCO é um reforço para a importância da cultura material".
Catarina Vaz Pinto disse em exclusivo ao Jornal Hardmusica que o Cante "tem traços de identidade muito fortes e foi um projecto, tal como o do Fado, muitíssimo bem preparado do ponto de vista cientifico e artístico". A vereadora da Cultura de Lisboa sublinhou que o resultado foi "bem visível neste concerto que acabámos de ver" e "portanto acho que foi muito merecido este prémio e fico muito comovida, como portuguesa e como lisboeta também". As candidaturas do Cante e do Fado são "muito interessantes e que foram muito bem preparados, há imensas consequências desse reconhecimento que estão à vista de todos os portugueses".
O primeiro grupo coral terá surgido em 1907, em Serpa, sob a designação de Orfeão Popular.

O concerto foi produzido pelo CCB e a Câmara Municipal de Serpa/Casa do Cante, com o apoio da Entidade Regional de Turismo do Alentejo e Ribatejo, e da Comissão Nacional da UNESCO - Ministério dos Negócios Estrangeiros.
in "Hardmúsica"