
A ADBSP - Associação de Dadores
Benévolos de Sangue de Portalegre esteve presente mais uma vez na vila do Crato
no passado dia 9 de novembro de 2013. Trata-se de uma visita bianual (uma em
maio e outra em novembro) e que se vem realizando desde 1993, ou seja, há 20
anos consecutivos, o que perfaz a “módica” quantia de 40 dias de dádivas de
sangue. Estaremos a falar em mais de 1500 colheitas ao longo destes anos. Este
evento congrega sempre uma grande equipa de médicos, enfermeiros e técnicos do
Hospital Distrital José Maria Grande (agora ULSNA), na maior parte trazendo
pessoas que trabalham por devoção. Muita gente sabe que o maior dos “devotos”
desta causa é o senhor António Eustáquio, um octogenário que já deu mais de 20
anos de enorme trabalho e dedicação à ADBSP, que passa por um momento muito
delicado de saúde encontrando-se inclusivamente a beneficiar de tratamentos de
radioterapia. As colheitas de sangue sem ele já nem são a mesma coisa e muitos
vão lá por consideração à sua pessoa. Este Homem
merece que a cidade de Portalegre e o distrito o homenageiem em vida,
quanto antes! A sua obra e o seu bem-fazer são incalculáveis e foi feita sempre
sem qualquer interesse pessoal!
Muita gente não saberá que as
ditas brigadas de recolha de sangue tiveram início no Crato em agosto de 1992 e
a ideia correu tão bem que se espalhou e generalizou por todo o distrito e
graças a elas, o distrito de Portalegre é autossuficiente em sangue. Este ano
ficámos a saber que sempre que não se recolham mais de 25 unidades de sangue, a
ULSNA deixa de vir às localidades onde isso aconteça. E o Crato, vila onde já
se atingiram recordes, nos últimos anos tem vindo a fraquejar muito. No passado
sábado, receou-se o pior. Contudo, graças ao esforço de alguns, lá se conseguiu
que comparecessem 42 pessoas e que 34 efetivassem a sua dádiva. Existirão
muitos motivos para o afastamento das pessoas a uma missão tão nobre, alguns
deles poderei enumera-los de forma crítica e construtiva: falta de apoios aos
dadores de sangue (direitos retirados), “excesso de zelo” de um médico ou
médicos, desinteresse acentuado da maioria dos bombeiros voluntários do Crato
onde terá de se incluir a Direção e o Comando, falta de visão do município e
das juntas de freguesia e falta de mobilização associativa. E isto tem de ser
ultrapassado no curto prazo, têm de se juntar todas as sinergias e as
distâncias entretanto criadas deverão ser encurtadas ou dissipadas. O Crato não
pode sair do mapa das dádivas de sangue, o Crato deve voltar aos recordes!
Apelo a que em maio de 2014 tudo seja feito para que o Crato volte a ser o
orgulho de todos!
Prof. Miguel Baptista